27 de mar de 2011

Quimioterapia - parte 3

     A quimio é uma merda... Uma merda necessária... Uma merda que talvez promova a cura... Talvez...
     Os pacientes que precisam se submeter à quimioterapia sabem por antecedência que o trem é feio, mas não imaginam quão feio ele será... 99,9% dos pacientes que estão passando ou passaram pela quimioterapia são unânimes em afirmar: "A QUIMIOTERAPIA É UMA MERDA"!
     O tratamento é "punk" e depois de algumas sessões você passa a ter certeza absoluta que não sobreviverá... Por mais otimista que você seja... E, embora queira realmente ficar bem, você mesmo passa a duvidar que tem alguma chance...
     Os principais efeitos colaterais do tratamento são: queda dos cabelos, enjoos, vômitos, baixa de leucócitos, alteração do paladar (gosto de cloro, alumínio, ferro etc na boca), alteração do olfato, alteração do humor, perda do apetite, fraqueza (acompanhada ou não de anemia e febre), desânimo, medo, insônia, raiva etc.
     Eu, com 2 meses de tratamento, não aguentava mais passar mal, “não tinha mais veias” e foi necessário colocar um cateter. As principais indicações para o implante de um cateter para quimioterapia são as seguintes: dificuldade de acesso venoso periférico em virtude de veias finas, quimioterapia de longa duração, tratamentos realizados com ciclos frequentes ou múltiplos e uso de medicamento vesicante (podem produzir irritação da parede dos vasos). Este dispositivo permaneceria comigo enquanto durasse o
tratamento quimioterápico. E, de certa forma, proporcionou-me maior conforto já que o acesso ao sistema venoso era obtido a cada ciclo de quimioterapia pela punção do port (parte do cateter que fica debaixo da pele) geralmente colocado na região anterior do tórax logo abaixo da clavícula. Assim a punção para acesso ao sistema venoso tornou-se fácil e menos dolorida...
     Antes de começar o tratamento eu pesava 57 quilos, e em dois meses já estava pesando 47 e consegui emagrecer mais 10 ainda ao longo do tratamento. Imaginam uma criatura com 1,70 de altura pesando 37 quilos? E sem cabelos ou sobrancelha? Eu me sentia um monstro... Um extraterrestre... Muitos afirmam que o paciente se sente mal com a perda de cabelos devido à preocupação estética e beleza... Aff, isso até tem uma certa importância, você olha  ao seu redor e está todo mundo bem, com cabelos e saudáveis, todo mundo está melhor e mais bonito que você... Mas, na verdade, e no meu ponto de vista, a perda dos cabelos representa a perda da identidade... A aquisição do status de diferente e do rótulo de doente... É uma mutilação... Embora eu considere o Vin Diesel lindo, eu odiei ficar careca... 
    Usava peruca e tinha um monte de chapéus e mesmo assim, me sentia uma aberração... Quando estava bem, meus amigos me levavam para sair... Era necessário distrair um pouco (recomendação médica)... Mas era doloroso... Já não bastava eu mesma me sentir uma aberração? Precisava dos olhares preconceituosos e de comentários desnecessários? Imagina você entrar numa danceteria no colo de um amigo, (tinha escada e era necessário ser carregada no colo para entrar), aí eu ficava sentada e meus amigos ficavam como seguranças em volta de mim... Óbvio que todo mundo olhava para mim... Eu bem que queria ter os poderes da mulher invisível, mas não tinha... E nessas ocasiões algumas pessoas conhecidas que haviam se afastado vinham ironicamente desejar melhoras e tecer alguns comentários... Digo ironicamente porque se você se afasta de um amigo quando ele está na pior, ao meu ver, você não se importa verdadeiramente com ele... Eu até entendo que algumas pessoas se afastam porque não sabem lidar com a situação... Entendo, mas não me comovo... Quem esteve do meu lado desde o início, permaneceu comigo até o fim do tratamento e serei eternamente grata... Quem se afastou e tentou se reaproximar depois... Não teve chance. Eu fechei o círculo... 
     Lembro de comentários desnecessários e maldosos... Uma pessoa que havia se afastado veio conversar comigo e disse: “Nossa, como você está magra... Não fica feia nem fazendo quimioterapia”... Precisava? Uma tia impediu que uma prima me abraçasse com essas palavras e na minha frente: “Cuidado, ela está doente... Você quer pegar a doença“? Câncer não é uma doença contagiosa... Em outra ocasião, fui comprar uma calça bailarina e a P ficou larga, a vendedora trouxe uma PP e disse: “o lado bom da quimioterapia é que emagrece bastante, se você sair dessa, tomara que consiga manter esse peso”... E, certo dia, o padre veio na minha casa rezar por mim... Aí começa o sermão e ele diz que tudo que estava acontecendo na minha vida era porque eu havia me desviado do caminho, eu era uma ovelha perdida... Vocês acham que eu fiquei ouvindo? Falei para o padre ir às favas, para ele ir procurar ovelhas no inferno... (não dá para escrever palavrões no blog e sou brava, mas não sou de falar palavrões mesmo)... Eu não havia cometido nenhum crime, não havia matado nem roubado... Não nessa vida... Quem ele pensava que era para me chamar de ovelha perdida? Pois é, expulsei o padre da minha casa... 
     Enfim, quem sou eu para julgar outras pessoas? Apenas acho que educação e respeito nunca são demais... Há que se ter o mínimo de bom-senso... Não vai ajudar?... Então nem fala nada... O silêncio simboliza respeito e "diz" muito...









4 comentários:

  1. Sei que não é fácil. O preconceito é foda. Apesar de não ser uma doença contagiosa. Tive uma pessoa com câncer na familia. Minha tia faleceu a pouco mais de 10 anos. Creio que ainda teremos cura para todos os tipos de câncer.

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  2. No meu blog "Os segredos de Deus" eu procuro mostrar que todas as doenças poderiam ser evitadas e curadas, inclusive câncer, se fizéssemos uso de uma alimentação absolutamente natural e principalmente alimentos crus.

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  3. Oi Juliana,
    Infelizmente este é o mundo que vivemos, um mundo de aparências, de falsidades , o segredo de viver em sociedade é, eu te engano,você me engana, e esta tudo certo. São muito poucas as pessoas que vivem exatamente do modo que acreditam,são elas mesmas!Em geral as pessoas tem 2,3 até 10 caras mas o importante é espalharmos nossa felicidade de maneira incondicional.Beijos e continue assim incompleta...complexa e amante da vida.

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  4. Este João Batista Lacerda é ridículo! Será que ele nunca ouviu falar em fator genético? Será que não conhece a dengue, gripe, cólera, varíola? Não importa quanto alface você coma... Gene continuará sendo gene, vírus sendo vírus e bactéria, bactéria.

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