24 de abr de 2011

Selo! Presentinho!

23 comentários

      Ganhei o selo do blog da Mari, via Cris.Selene do blog: 
   "Dai ni no jinsei"
    Obrigada por indicar o meu blog Cris!

     Bom, existem umas regras pra esse Selinho:

 1) Repassar para outros blogs;
 2) Responder as perguntas:
 
Nome: Juliana
Idade: 33
Melhor música: difícil escolher a melhor música... São muitas melhores músicas...
Melhor livro: são muitos também... Mas vamos lá: Guerra e paz, Leon Tolstoi
Cor: azul
Seu melhor passatempo: ler, escrever, desenhar, pintar...
O que você acha do Tutorizar: Acabei de conhecer e gostei!
 
     E os meus indicados são:
Harah Nahuz (Haridades), Simone (Cotidiano),  Lari (Tudo por um livro), Eric (Eric Bustamante de Almeida e Bh de bicicleta)
   Obs: Se não conseguirem "pegar" a imagem do selo no meu blog, visitem o blog "Dai ni no jinsei", da Cris! Obrigada de novo Cris!

11 de abr de 2011

Mentes Perigosas...

7 comentários
     Fugindo um pouco do tema "quimioterapia" e chocada com a barbariedade do crime em escola de Realengo... Fui professora de crianças, tanto no ensino infantil quanto no fundamental... E, mais do que o compromisso moral de solidariedade e antes que apareçam "defensores" destacando a vida difícil e amargurada do assassino Wellington Menezes de Oliveira... Parei esses dias... Minutos de silêncio... Mas nem silêncio consigo fazer direito...  Não paro de pensar... O que levou esse rapaz a  fazer o que fez? Bom, não sou psiquiatra... Mas, não há nada que justifique...
     Não faz muito tempo li o livro: Mentes Perigosas - o psicopata mora ao lado, da Ana Beatriz Barbosa Silva e gostei muito. O livro não é cheio de teorias nem voltado exclusivamente para profissionais da área... É fácil de entender e apresenta algumas situações vivenciadas por vítimas... Dias atrás, postei uma nota no facebook sobre o livro e vou reproduzir aqui:

     O livro alerta para o perigo de psicopatas na sociedade e mais próximos de nós do que imaginamos. Reúne uma coletânea de casos polêmicos e discorre sobre pessoas frias, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa. Esses 'predadores sociais' com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social.
     Alguns psicopatas e sociopatas são tão agressivos e violentos, que necessitam internação compulsória e vitalícia, para proteção da própria sociedade e deles mesmos.
     Não existe defesa totalmente segura contra eles. Segundo os psiquiatras muitos atos cometidos com crueldade atuais ou não, podem ter origem nesse mal. O grande desafio é reconhecê-los, devido a capacidade de enganar com perfeição e dizer exatamente o que você quer ouvir, que eles possuem. Você só descobre que cruzou o caminho de um psicopata, após ter sido prejudicado por ele.
     O psicopata não é exatamente um doente mental, mas sim um ser que se encontra na divisa entre sanidade e a loucura. O ser humano normal é movido pelo triângulo: razão, sentimento e vontade. O que move um psicopata é: razão e vontade, ou seja, o que os move é satisfazer plenamente seus desejos, mesmo que isso envolva crimes como: golpes financeiros, roubos, furtos, estupro ou assassinato. Não importa, já que para eles não existe o fato: sentimento.
    Diagnosticar um psicopata não é tarefa fácil, pois o psicopata pode ludibriar, não porque ele seja um superdotado, mas o fato é que ele usa 100% de rendimento de sua inteligência. Explicando: eles não se afligem com nada, não existe neles a catatimia (que é a interferência da emoção sobre a razão ou seja, eles não tem os “brancos” que as pessoas normais tem ao enfrentar uma situação estressante). A racionalidade deles é tamanha que não são pegos em detectores de mentira. Sabem exatamente o que estão fazendo e mentem com naturalidade. Não há tratamento para esses casos. Psicoterapia e psicanálise podem até ensiná-los a manipular com ainda mais maestria, uma vez que aprendem detalhes sobre o comportamento humano. Eles não têm o tipo mais comum de comportamento agressivo, que é o da violência acompanhada de descarga emocional (geralmente raiva ou medo) e nem ativação do sistema nervoso simpático (dilatação das pupilas, aumento dos batimentos cardíacos e respiração, descarga de adrenalina, etc). Seu tipo de violência é similar à agressão predatória, que é acompanhada por excitação simpática mínima ou por falta dela, e é planejado, proposital, sem emoção ("a sangue-frio"). Isto está correlacionado com um senso de superioridade, de que eles podem exercer poder e domínio irrestrito sobre outros, e se consideram mais que os outros, muitas vezes desenvolvem filosofias próprias e místicas, como se fossem escolhidos para fazerem o que fazem...
     Quanto aos seus crimes, cabe a psiquiatria forense avaliar se ele é imputável ou semi-imputável, do ponto de vista jurídico normalmente ele é considerado semi-responsável, indo para um Hospital Psiquiátrico, sendo avaliado de tempos em tempos, para ver se existe a possibilidade de voltar ao convívio social. Mas eles se tornam um problema seja nos presídios, hospitais psiquiátricos e outros.
     A possibilidade de você já ter encontrado um em seu caminho é grande, pois pelas estatísticas da Organização Mundial da Saúde, representam de 1% a 4% da população mundial.
     Psicopatas na história mundial: Jeffrey Dahmer, Ted Bandy, Charles Manson, Richard Ramirez, O Zodíaco (nunca pego ou identificado), John Wayne Gacy Junior (o palhaço assassino – “IT” do livro do Stephen King da vida real), Jack o Estripador (nunca pego ou identificado). Pedro Alonso Lopes (Colombiano acusado de mais de 300 assassinatos), Henry Lee Lucas, Robert Pickton, Erzsebet Bathory (Condessa húngara matou não menos de 650 pessoas durante seus 54 anos de vida), Adolph Hitler, Udai Hussein (filho de Sadan Hussein que mandava torturar jogadores de futebol e cometia atos de sadismo), Dr Josep Mengele (conhecido como Anjo da Morte no campo de concentração de Auschwitz durante a segunda guerra mundial), Dra Herta Oberheuser (Alemanha durante a segunda guerra mundial).
     Na história brasileira: Suzane Louise von Richthofen, Guilherme de Pádua, Champinha, Francisco de Assis Pereira (O Maníaco do Parque), Francisco Costa Rocha (Chico Picadinho).
     No Brasil ainda temos um agravante no item psicopatas, se os mesmos forem “Menor” ao serem descobertos, devido as leis brasileiras, o menor pode ficar no máximo três anos detido, o que na maioria das vezes não ocorre.
     O desafio para se fixar uma idade mínima para a imputação penal é tão complexo que em todos os países do mundo é motivo de muita polêmica e acaloradas discussões... Dependendo da gravidade do crime, podemos observar as diversas idades mínimas para responsabilidade criminal em alguns países:
Austrália e Suíça - 7 anos
Equador - 12 anos
Dinamarca, Finlândia e Noruega - 15 anos
Argentina, Chile e Cuba - 16 anos
Polônia - 17 anos
Colômbia, Luxemburgo e Brasil - 18 anos
EUA - A partir dos 6 anos, cabe ao juiz decidir se o infrator deverá ser julgado como adulto ou não;
Inglaterra - Não tem idade mínima preestabelecida, uma criança pode ser julgada como adulto dependendo da gravidade do crime

     O que fazer com um psicopata que cometeu um crime?
     Ele pode ser novamente colocado em convívio com a sociedade?
     Como identificar um psicopata antes que ele cometa um crime grave?
     E, uma vez identificado como previnir, se não existe uma lei para isso?

    Um minuto de silêncio pelas crianças que morreram no Rio de Janeiro e que nossos políticos, mais do que criticar a venda de armas de fogo e lamentar a violência, criem leis específicas, aprimorem a segurança geral da população e  invistam no diagnóstico e tratamento da psicopatia.
    Eis aí a nota...

    E agora, diante da divulgação pela mídia de trechos da carta deixada pelo assassino e com alguns comentários feitos por especialistas como: Alexandre Rivero, psicólogo especialista em relações humanas, "a carta deixa evidente que há uma ruptura com a realidade". Os indícios levam a crer que o atirador era psicótico e tinha uma doença mental, explica a psiquiatra forense Lícia de Oliveira, do Hospital das Clínicas de São Paulo - O conteúdo místico e religioso da carta é comum nos psicóticos. Os familiares e amigos dizem que ele era isolado. Tudo leva a crer que é um psicótico, que sofre com quebra de realidade.
    E, ainda que hajam diferenças entre psicopatas e psicóticos, é óbvio que Wellington Menezes de Oliveira planejou cada detalhe do crime. Um dos trechos da carta que mais me chamou a atenção foi: “Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado à uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se sustentar, os animais não podem pedir comida ou trabalhar para se alimentarem…”
     Wellington não é um serial killer. É um “assassino em massa”... E nos deixou esse parágrafo para confundir nossos julgamentos simplistas? Ele defendeu tanto que os animais são seres indefesos e merecem proteção, que foi atirar logo em crianças? Suas palavras foram premeditadas, assim como o seu ato foi? Como ele teria alguma compaixão por animais e mataria pessoas?
     O assassino Wellington entrou na escola alegando que faria uma palestra... Como ninguém confirma se haveria tal palestra? Após sua morte foi encontrado em sua mochila uma carta de suicídio com instruções sobre o que as pessoas que encontrariam seu corpo deveriam fazer. Na carta fala-se em repúdio as pessoas não castas e ordem de um funeral semelhante ao realizado por suicidas radicais islâmicos. Ele também fala em perdão de Deus e volta de Jesus, crenças que não são ligadas ao Islamismo. Wellington frequentou a Igreja Testemunha de Jeová até sua mãe morrer, em 2010, a partir de então abandonou a denominação e se fechou ainda mais.
    Com o andar das investigações, familiares, amigos e pessoas que conviviam com Wellington revelam uma transformação na vida do jovem após a morte da mãe: “Ele passou a andar de preto, veio com essa história de religião, deixou a barba crescer”, afirmou o vizinho do assassino. Já segundo outro amigo que não quis se identificar, o assassino afirmava que teria começado a frequentar uma “religião secreta”. Seu primo afirma que na época das Eleições, Wellington já estava com uma longa barba, chegando na altura do peito. Em recente depoimento a polícia, o sobrinho do assassino revelou que após estudar sobre os atentados de 11 de Setembro, Wellington afirmava que faria o mesmo com o Cristo Redentor.
     Para o teólogo católico Leonardo Boff, o assassino era maniqueísta, ou seja, cria uma filosofia religiosa básica que divide o mundo entre bem ou mal.
     Há ainda, alta semelhança entre a carta de Wellington e a do terrorista Mohammed Atta que morreu nos atentados de 11 de setembro: nas cartas é possível ver referências a Deus, repúdio a “impuros”, listas de pedidos após sua morte e distribuição de suas posses por quem precisa. Inclusive, as especificações de funeral são praticamente as mesmas: ambos pediram uma pessoa da mesma crença para sepultá-los, oração para subir aos céus e luvas para quem tocar em partes “impuras”.
     Traduzindo: Para saber exatamente, só se algum médico tivesse examinado o atirador para identificar-lhe a periculosidade. E, ainda que o tivessem examinado... Um psicológo ou outro especialista parece ter atendido o assassino... Em 5 sessões... O que poderia ter sido feito? O que poderia ter impedido esse crime?
     Como fica a assistência ao "doente mental": perturbado, psicótico, sociopata ou psicopata depois desta tragédia?
     Como fica o mercado de armas?
     Será que muda alguma coisa?
     Enfim, deixo-vos... 1 minuto de silêncio...

8 de abr de 2011

Quimioterapia - trilha sonora - parte 2

6 comentários
     Agora, a música que realmente representa a trilha sonora da quimioterapia é: A Montanha Mágica.
     Num dos raríssimos momentos de bom humor, falei para a minha mãe e para a equipe toda do hospital que a música tinha sido feita para mim e todos tinham que ouvir comigo e ainda perguntava se queriam autógrafos...

A Montanha Mágica
Legião Urbana
Composição : Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá

Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal

Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é por incidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal

Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto prá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes
Agora só artesanato:
O resto são escombros

Mas, é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio 38

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia

Chega, vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol
Num copo d'água

     A montanha mágica, uma das faixas de V - quinto álbum da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em 1991, retrata a dependência química de Renato. 
     Segundo o próprio Renato, em trechos de uma entrevista para a Folha (1994): “Eu estava me destruindo e, em vez de me matar com um tiro na cabeça, preferi procurar ajuda. Isso vem desde os 17 anos, mas no "V" foi a primeira vez que coloquei na música essas questões. "A Montanha Mágica" é sobre isso. Eu era jovem e acabei entrando num beco sem saída. Isso foi me consumindo, eu ficava deprimido e não sabia o porquê. Achava que o mundo era horrível, igualzinho ao Kurt Cobain, nada mais valia a pena. E isso é estranho porque, se eu achar um dia que as coisas não valham a pena, quero estar com a cabeça no lugar, e não com o corpo cheio de toxinas. Parei com todo tipo de droga e vi que as coisas não eram tão ruins".
      O álbum As Quatro Estações, foi lançado em 1989, mesmo ano em que Renato Russo descobriu ser portador do vírus da AIDS, em pleno auge da carreira. O disco aborda temas como a própria AIDS, na música ‘Feedback Song for a Dying Friend’ e o bissexualismo, em ‘Meninos e Meninas’. O quinto disco ‘V’ foi lançado em novembro de 1991,  foi produzido na época em que Renato tinha descoberto ser portador do HIV, além de passar por problemas no relacionamento amoroso, e com o alcoolismo e drogas.
      Na coletânea Música para Acampamentos (1992), A Montanha mágica" possui três músicas incidentais, uma de Leiber e Stoller ("You've Lost That Lovin' Feelin'"), uma de John Lennon ("Jealous Guy") e uma dos Beatles ("Ticket to Ride").

     Eu não usava drogas, mas lá estava eu, dependente de quimioterapia... Meu joelho doía e aquilo tudo me fazia muito mal... Para que serviam os anjos? Todo mundo saudável vivia a minha vida... Eu era uma cópia e às vezes tudo que eu queria, era um dia de Sol...

     A Montanha Mágica também é o nome de um livro escrito por Thomas Mann em 1924, embora não haja comprovações de uma relação entre as duas obras, é interessante ressaltar que o livro conta a história de um jovem que descobre ter uma doença incurável... Pelas palavras do próprio autor: "o livro narra a história de Hans Castorp, um jovem sem muitas qualidades. Estava um pouco esgotado, ao término de seu curso de engenharia. Antes de assumir um alto cargo na firma dos parentes, vai para um sanatório na montanha para repousar por quinze dias, com o pretexto de visitar o primo tuberculoso. Os médicos descobriram que ele trazia a doença embutida, e fica interno também. Então opera-se uma transformação nele, paulatinamente, à medida em que vai vivendo nesse lugar em que parece que o tempo não existe. Vai conhecendo os hóspedes da clínica, que parece não terem nada de extraordinário. São de fato pessoas comuns que pegaram uma doença incurável, na época, e convivem com ela da melhor maneira possível. Quanto melhor é essa convivência, quanto mais parecem normais, mais ganham profundidade psicológica, mais vamos conhecendo quanto de humano pessoas comuns carregam dentro de si. Como não poderia deixar de ser, há a discussão religiosa – na pessoa de duas das personagens mais interessantes, mais complexas, um escritor e um jesuíta, dois pândegos a princípio, que vão crescendo e dominando a cena. É a cidade de Deus e a cidade dos homens em luta, ambas carregadas de erros, tentando justificar-se e impor-se. O desenlace dessa disputa será o clímax do romance. Sem vencedores, mas com perda e desengano. No entanto, a vida continua. Hans Castorp conhece ou pensa conhecer o amor. Não percebe que quem vive nas suas condições não tem direito de amar. Como se dissesse que quem vive nas condições em que todos nós vivemos a vida não tem direito a amar. É às vésperas da 1ª Guerra Mundial, quando o mundo vai transformar-se. Hans Castorp amadurece de repente – isto é, falamos que ali o tempo não existia, mas é tão vagarosamente que se passam as transformações nas pessoas que, quando vêem, já são outras. Como se fosse de repente. Nada poderia ser de repente num livro de 800 páginas. Nada poderia ser mais surpreendente num livro de tantas páginas, em que não acontece nada, e que nos deixa presos àquele mundo cheio de humanidade, que sangra sem que se perceba, que morre – e olha-se com galhardia a morte –, enquanto vamo-nos enriquecendo interiormente. Não é apenas Hans Castorp que cresce ao longo do romance. Não são apenas as personagens – sem grandeza como nós – que crescem ao longo do romance. Nós também. Ler 'A Montanha Mágica' é aprender a morrer. Quem vive está morrendo um pouco, e nessa montanha se vive muito devagar"...
     Também de um livro de Mann, Tônio Kroeger, é a frase citada em Sereníssima: "Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço".

Quimioterapia - trilha sonora - parte 1

1 comentários
     Devido à tristeza dos últimos textos, achei que seria oportuno incluir alguns momentos engraçados e combiná-los com a trilha sonora da quimioterapia.
     Desnecessário dizer que meus momentos de bom-humor eram cada vez mais raros... Mas vamos lá:
     Lembro de uma vez internada, sessão de quimioterapia no hospital, ficava 4 dias num quarto escuro... Aí reclamei com o médico que precisava dar uma voltinha e ver o Sol... (coisas que a gente nem lembra de reparar na correria dos dias). E ele era bravo, respondeu assim: “desenha um sol e cola na parede porque a medicação não pode ficar exposta à luz“... Desenhei o Sol, colei na janela e liguei o som (sim, podia ouvir música e ver televisão). E, por um dia inteirinho, meus médicos e meu “exército” de enfermeiros, tiveram que ouvir e cantar comigo:

Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto
Legião Urbana
Composição : Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,
Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só.
   
     Uma outra vez, minha mãe tinha saído e meu amigo Espectro ficou me fazendo companhia no Hospital, eis que ele começa a ler um gibi da Mônica para mim, já viram alguém entender uma leitura de gibi sem ver os desenhos? Eu falava: "Espectro deixa eu ver"... Ele respondia: "Não, presta atenção que eu estou lendo para você"... E assim foi até ele terminar a leitura, não havia argumento que o convencesse que eu não estava entendendo nada... hahahahahaha.
     Querido amigo, que acompanha o blog, o que vale é a intenção e serei eternamente grata à sua amizade e dedicação na leitura daquele gibi...


29 de mar de 2011

Quimioterapia - parte 4

11 comentários
     Enjoos e vômitos constituem uma das piores partes da merda do tratamento... Eu praticamente mudava-me para o banheiro após cada sessão de quimioterapia, não conseguia comer praticamente nada, exceto maçã verde bem azeda, Yakult, coca-cola e água... Vomitava mil vezes seguidas... Nojento! Beber muitos líquidos era importante para ajudar a eliminar os resíduos da quimio, mas tinha dias que não tinha forças nem para beber água...
     Eu sentia dores pelo corpo todo, câimbras, fraqueza nos braços e pernas, tonturas... Eu sabia que precisava comer, mas era impossível... Enfim, só conseguia voltar a comer depois de passar uns dias vomitando sem parar...
     A outra parte da merda é chamada de baixa de leucócitos, os leucócitos são as células de defesa do nosso organismo e caem muito na quimio... Eu tive fases críticas de baixa de leucócitos, de ter febres super altas e precisar ser internada às pressas, fazer transfusões de sangue e ficar dias na UTI ou CTI... A baixa dos glóbulos brancos, (leucócitos) é um dos piores efeitos colaterais dos medicamentos quimioterápicos no tratamento do câncer e expõe o paciente a outras doenças porque o organismo fica indefeso... Neutropenia é o termo médico usado para a queda dos leucócitos e neste estado o risco de infecções é alto. Cheguei a usar o medicamento Granulokine, recomendado pela minha médica, com a intenção de “brecar” a baixa de leucócitos. Era tipo uma vacina, e o meu amigo Aster era, na maioria das vezes, quem me carregava no colo, para tomar esse medicamento. Era uma injeção extremamente dolorida e funcionava às vezes e, várias outras vezes não “brecava” a baixa de leucócitos, e de repente lá estava eu com uma febre de 38, 39 graus e tinha que “voar” para Campinas e ser internada com risco de vida... Ficava na UTI com máscara e, teve  dias especialmente trágicos, em que cheguei a fazer várias transfusões de sangue e minha mãe teve que assinar termo de responsabilidade no hospital... “Estavam tentando tudo que era possível e eu não estava reagindo"... Imaginam como é doloroso para uma mãe assinar um papel desses?
     Eu lembro bem de um desses dias trágicos, minhas avós foram me visitar na UTI, única vez que elas me visitaram... Vi elas entrando de máscara e minha mãe tinha saído para que elas pudessem me ver... Eu via elas lá e não conseguia falar nada... Não entendia o que estava acontecendo e não tinha forças para dizer uma palavra. Depois elas saíram e vi de relance a Carla, minha amiga... Depois vi minha prima Patrícia e a Simone... Depois minha mãe voltou e ela estava triste, um choro mudo saía de seus olhos... E foi nesse exato instante que recuperei a força de pensar... Comecei a entender que aquelas pessoas tinham ido se despedir de mim caso o pior acontecesse... Não havia muito o que fazer... Já havia feito várias transfusões de sangue e não melhorava... Então, pensei em rezar, mas achei melhor brigar com Deus... Falei para Ele que a minha mãe estava lutando por mim e ela não merecia perder... Falei que não entendia bem como funcionava o sistema Dele... E que era extremamente fácil eu ter acabado com tudo aquilo... Sim, houve momentos em que suicídio passou pela minha cabeça sim... Mas,  eu jamais teria coragem de desistir... Então Deus, você é quem está desistindo de mim... Você está fazendo a minha mãe chorar... Acha certo? Acha mesmo certo? Seja feita a vossa vontade! Só isso... E, foi uma crítica num tom super irônico...  Nessa época, eu não tinha uma relação boa com Deus não... Continuava revoltada e irritadíssima... Eu brigava muito com a minha mãe, por mais que ela fizesse... Não justifica, mas de certa forma, eu descarregava em cima dela... Levava mil broncas dos amigos mais próximos, do Espectro principalmente... E as broncas de nada adiantavam...  Mas era mais ou menos como irmãos que brigam entre si, se alguém de fora fizer algo ao seu irmão, por mais que você brigue com ele, você o ama e toma as dores... Você pode brigar com ele, só você e mais ninguém... E, no caso, Deus estava fazendo a minha mãe chorar, não era eu quem estava brigando com ela... Era Ele. Culpei Deus e pronto. O fato é que depois de ficar brava com Deus, a transfusão estabilizou... Lembro que dormi e acordei sentindo-me bem... Fraca, porém bem e sem dor... Minutos depois, veio a enfermeira e disse que eu estava estável... Minha mãe chorou e agora era um choro alegre, se é que me entendem... Poxa, lembro que a minha médica me abraçou e quase chorou também... E lembro que fiquei dias pensando em Deus... Então Ele existia mesmo... Eu O havia desafiado e Ele havia respondido... Ou não tinha nada a ver e eu  estava delirando?... Será que Ele estava bravo? O que eu devia fazer agora? Pedir perdão? Agradecer?
    Chorei, agradeci e pedi perdão... Pedi de todo o meu coração para Ele não desistir... Para Ele me ajudar...
     Impossível escrever mais hoje...


27 de mar de 2011

Quimioterapia - parte 3

4 comentários
     A quimio é uma merda... Uma merda necessária... Uma merda que talvez promova a cura... Talvez...
     Os pacientes que precisam se submeter à quimioterapia sabem por antecedência que o trem é feio, mas não imaginam quão feio ele será... 99,9% dos pacientes que estão passando ou passaram pela quimioterapia são unânimes em afirmar: "A QUIMIOTERAPIA É UMA MERDA"!
     O tratamento é "punk" e depois de algumas sessões você passa a ter certeza absoluta que não sobreviverá... Por mais otimista que você seja... E, embora queira realmente ficar bem, você mesmo passa a duvidar que tem alguma chance...
     Os principais efeitos colaterais do tratamento são: queda dos cabelos, enjoos, vômitos, baixa de leucócitos, alteração do paladar (gosto de cloro, alumínio, ferro etc na boca), alteração do olfato, alteração do humor, perda do apetite, fraqueza (acompanhada ou não de anemia e febre), desânimo, medo, insônia, raiva etc.
     Eu, com 2 meses de tratamento, não aguentava mais passar mal, “não tinha mais veias” e foi necessário colocar um cateter. As principais indicações para o implante de um cateter para quimioterapia são as seguintes: dificuldade de acesso venoso periférico em virtude de veias finas, quimioterapia de longa duração, tratamentos realizados com ciclos frequentes ou múltiplos e uso de medicamento vesicante (podem produzir irritação da parede dos vasos). Este dispositivo permaneceria comigo enquanto durasse o
tratamento quimioterápico. E, de certa forma, proporcionou-me maior conforto já que o acesso ao sistema venoso era obtido a cada ciclo de quimioterapia pela punção do port (parte do cateter que fica debaixo da pele) geralmente colocado na região anterior do tórax logo abaixo da clavícula. Assim a punção para acesso ao sistema venoso tornou-se fácil e menos dolorida...
     Antes de começar o tratamento eu pesava 57 quilos, e em dois meses já estava pesando 47 e consegui emagrecer mais 10 ainda ao longo do tratamento. Imaginam uma criatura com 1,70 de altura pesando 37 quilos? E sem cabelos ou sobrancelha? Eu me sentia um monstro... Um extraterrestre... Muitos afirmam que o paciente se sente mal com a perda de cabelos devido à preocupação estética e beleza... Aff, isso até tem uma certa importância, você olha  ao seu redor e está todo mundo bem, com cabelos e saudáveis, todo mundo está melhor e mais bonito que você... Mas, na verdade, e no meu ponto de vista, a perda dos cabelos representa a perda da identidade... A aquisição do status de diferente e do rótulo de doente... É uma mutilação... Embora eu considere o Vin Diesel lindo, eu odiei ficar careca... 
    Usava peruca e tinha um monte de chapéus e mesmo assim, me sentia uma aberração... Quando estava bem, meus amigos me levavam para sair... Era necessário distrair um pouco (recomendação médica)... Mas era doloroso... Já não bastava eu mesma me sentir uma aberração? Precisava dos olhares preconceituosos e de comentários desnecessários? Imagina você entrar numa danceteria no colo de um amigo, (tinha escada e era necessário ser carregada no colo para entrar), aí eu ficava sentada e meus amigos ficavam como seguranças em volta de mim... Óbvio que todo mundo olhava para mim... Eu bem que queria ter os poderes da mulher invisível, mas não tinha... E nessas ocasiões algumas pessoas conhecidas que haviam se afastado vinham ironicamente desejar melhoras e tecer alguns comentários... Digo ironicamente porque se você se afasta de um amigo quando ele está na pior, ao meu ver, você não se importa verdadeiramente com ele... Eu até entendo que algumas pessoas se afastam porque não sabem lidar com a situação... Entendo, mas não me comovo... Quem esteve do meu lado desde o início, permaneceu comigo até o fim do tratamento e serei eternamente grata... Quem se afastou e tentou se reaproximar depois... Não teve chance. Eu fechei o círculo... 
     Lembro de comentários desnecessários e maldosos... Uma pessoa que havia se afastado veio conversar comigo e disse: “Nossa, como você está magra... Não fica feia nem fazendo quimioterapia”... Precisava? Uma tia impediu que uma prima me abraçasse com essas palavras e na minha frente: “Cuidado, ela está doente... Você quer pegar a doença“? Câncer não é uma doença contagiosa... Em outra ocasião, fui comprar uma calça bailarina e a P ficou larga, a vendedora trouxe uma PP e disse: “o lado bom da quimioterapia é que emagrece bastante, se você sair dessa, tomara que consiga manter esse peso”... E, certo dia, o padre veio na minha casa rezar por mim... Aí começa o sermão e ele diz que tudo que estava acontecendo na minha vida era porque eu havia me desviado do caminho, eu era uma ovelha perdida... Vocês acham que eu fiquei ouvindo? Falei para o padre ir às favas, para ele ir procurar ovelhas no inferno... (não dá para escrever palavrões no blog e sou brava, mas não sou de falar palavrões mesmo)... Eu não havia cometido nenhum crime, não havia matado nem roubado... Não nessa vida... Quem ele pensava que era para me chamar de ovelha perdida? Pois é, expulsei o padre da minha casa... 
     Enfim, quem sou eu para julgar outras pessoas? Apenas acho que educação e respeito nunca são demais... Há que se ter o mínimo de bom-senso... Não vai ajudar?... Então nem fala nada... O silêncio simboliza respeito e "diz" muito...









26 de mar de 2011

Quimioterapia - parte 2

7 comentários
     A segunda sessão de quimioterapia seria na clínica (Centro de Oncologia de Campinas) e fiquei sabendo que a quimio seria aplicada dessa forma: sessões mais fortes com internação no hospital alternadas com sessões mais brandas que seriam aplicadas na clínica de forma ambulatorial, ou seja, podia ir embora no mesmo dia.
     Na clínica, por 3 dias seguidos, a medicação era aplicada numa sala cheia de poltronas confortáveis onde várias pessoas, de várias idades, recebiam a medicação juntas.
     Interessante ressaltar que você não ficava num lugar escuro, nem com aquele “exército” de enfermeiros “medindo” pressão e temperatura a cada meia hora, podia comer e conversar com as outras pessoas.
     Lembro que, na minha primeira sessão na clínica, conheci uma mulher que estava no finalzinho do tratamento de câncer de mama, ela estava na sua última aplicação, estava com um lenço colorido na cabeça e feliz da vida porque em 15 dias seus cabelos voltariam a crescer... Conheci um senhor ranzinza que reclamava quando alguém passava mal, sendo que ele era o cidadão ali que mais passava mal... E conheci uma criança, uma menininha linda, de uns 5 anos, chamada Fernanda que fazia tratamento no Centro Infantil Boldrini e na clínica, e pasmem, fiquei bege e de todas as cores possíveis... Ela tinha câncer no pulmão. Como uma criança daquele tamanho podia ter câncer no pulmão? Eu já adoro criança e pela Fer me apaixonei imediatamente... Mas a Fernandinha merece um capítulo especial nas minhas postagens e voltarei a falar dela.
     A enfermeira da clínica que me atendia era a Dra Eliana, (“in memoriam“) um amor de pessoa, super paciente e dedicada. 
     Bom, na clínica ocorria uma certa interação, você acabava conhecendo outras pessoas que estavam na mesma situação que você... E isso fazia eu pensar... Eu ainda não me conformava com a doença... Mas julguei que era muito mais injusto com a Fernandinha do que comigo, ela tinha apenas 5 anos... Isso de conhecer outras pessoas e compartilhar experiências, foi muito importante para mim... Eu já não me achava mais o centro do universo... Havia um monte de pessoas passando pelo mesmo que eu... E, sinceramente, nas minhas orações e revolta, eu passei a pedir primeiro para a Fernandinha e depois para mim...





14 de mar de 2011

Cursos para escritores, blogueiros e afins! Apenas divulgando!

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19/03/2011 - Sábado
O Livro e o Direito Autoral - Questões Práticas

      A Lei do Direito Autoral e os vários aspectos que a envolvem têm sido foco para discussão. Que obras são protegidas pela lei? Que cuidados ter na utilização de conteúdos protegidos? Como evitar uma reprodução de texto sem autorização expressa do responsável? Quando acontece a pirataria? O que é domínio público? Lei das Biografias. Direito de Imagem. O Direito Autoral no mundo dos e-books, do Google e das novas tecnologias. 


Data: 19 de março de 2011 - Sábado
Horário: 9h00 às 13h00
Docentes: João Scortecci e Maria Esther Mendes Perfetti
Preço Único: R$ 130,00

26/03/2011 - Sábado
Biblioteca: Montagem, Organização e Conservação de Acervos

       O objetivo do curso é disseminar informações sobre montagem, organização, conservação e higienização de acervos em Biblioteca e Centros de Documentação e do ambiente para preservação, organização e divulgação de informações. Definição de conservação e restauração. O livro e suas partes. Motivos, danos e controle da deterioração de documentos. Catalogação.


Data: 26 de março de 2011 - Sábado
Horário: 09h00 às 13h00
Docente: Maria Esther Mendes Perfetti
Preço: R$ 120,00



Sala de aulas: Rua Mourato Coelho, 393 - conjunto 1
(esquina com Rua Teodoro Sampaio)
CEP 05417-010 - Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP

Mais informações:
Escola do Escritor
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
www.escoladoescritor.com.br
Telefone: (11) 3034.2981

13 de mar de 2011

Quimioterapia - Parte 1

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     Enfim, depois dos dias felizes na praia, a volta para casa ocorreu de forma tranquila... Era fevereiro de 1995, o carnaval seria no finalzinho do mês... Eu estava bem, meu joelho quase nem doía... Amigos queridos estavam na cidade, lembro-me de irmos para as cachoeiras e até de um breve "affair" com uma pessoa linda, por dentro e por fora, que eu gostaria de ter conhecido em outra época... Poxa, eu estava apaixonada por uma pessoa com quem não tinha a menor chance... Aí, de repente, um lindo aparece... E eu ia fazer quimioterapia... Estão entendendo porque eu disse no outro post que é uma sacanagem misturar sorte com porcentagem? Hahahaha! Brincadeira, nem era questão de sorte... E foi como tinha de ser... Essa pessoa é um querido até hoje, a quem devo e amo muito, nem era tão próximo e se fez muito presente nos piores dias da minha vida... Serei eternamente grata!
      Uns 10 dias antes do Carnaval, fiquei internada para fazer a primeira aplicação de quimioterapia... Estava assustadíssima e mal-humorada, vem a enfermeira "pegar" uma veia para passar a medicação, e ela "pica" e ainda erra... E "pica" de novo... E de novo... E a culpa ainda era minha porque estava muito nervosa, "as veias somem, fica difícil"... (palavras da enfermeira). A medicação era tipo um soro, mas coberto por algo preto... porque não podia ficar exposta à luz, além do protetor preto por cima, o quarto deveria ficar escuro, cortinas ou janelas fechadas... Tentei ler, mas desisti de tanto que os enfermeiros vinham "medir" temperatura e pressão... Dormir, seria impossível...  Eis que, dormi um pouco e acordei berrando, a agulha tinha escapado e eu estava cheia de sangue, acho que acordei o hospital inteiro, tamanho foi o susto... Vem a enfermeira "pegar" outra veia... e assim foi repetidamente... Não passei mal no Hospital, não sentia muita vontade de comer e tive apenas uma leve tontura... Após 4 ou 5 dias, deixei o hospital e considerei que as aplicações seriam incômodas, porém suportáveis... Seria fácil!
     Bastou chegar em casa para me arrepender das considerações acima... Passei super mal, cheguei a vomitar 18 vezes seguidas... Me sentia fraca, estava pálida e exausta. Irritadíssima... E isso durou uns 3 dias, depois melhorei, tudo voltou ao normal...
     Uns dias depois, estava tomando banho, fui lavar o cabelo e caíram todos de uma vez... Eu sabia que iam cair, mas assustei como se não soubesse, e não sabia realmente que seria da maneira como foi... Achava que iam cair aos poucos e lá estava o chão do banheiro coberto com todos os meus fios de cabelos... Chorei... Minha mãe me abraçou...  Nós já tínhamos providenciado uma peruca, lenços, chapéus, faixas e, mesmo assim, olhar no espelho foi doloroso... Ah, os cabelos simbolizam parte da vaidade, principalmente feminina, são como uma moldura num rosto e perder todos os cabelos de uma vez mexe com o emocional, com a autoestima... Lembro que me olhei no espelho e pensei que fui uma burra, deveria ter pintado meu cabelo de todas as cores antes de começar o tratamento, se eu não sobrevivesse, nunca mais teria cabelo... e, caso eu sobrevivesse, prometi a mim mesma que, assim que começassem a crescer ia testar uma nova cor... Acabei de me trocar, coloquei minha peruca chanel ruiva, um chapeuzinho branco e olhei no espelho novamente... Pronto! Já me sentia bem melhor...

12 de mar de 2011

As 7 Artes e o selo!

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   1ª Arte - Música (som):  A música (do grego MOUSIKÉ, “relativo às Musas, às artes”. De MOÚSA, “Musa”) é uma forma de arte que se constitui basicamente em combinar sons e silêncio seguindo, ou não, uma pré-organização ao longo do tempo. É também uma prática cultural e humana e uma forma de linguagem ou expressão que se utiliza da voz e instrumentos musicais entre outros artifícios. A música, é considerada a primeira arte e se concentra na utilização e percepção do som! Ouça! Sinta a música!



    2ª Arte - Dança (movimento): A Dança (do Latim DANSARE, com origens anteriores pouco definidas) é a arte de mexer o corpo, através de uma cadência de movimentos e ritmos, previamente estabelecidos (coreografia), ou improvisados (dança livre), criando uma harmonia própria. Geralmente associada à música, envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela. Mas, não é somente através do som de uma música que se pode dançar, pois os movimentos podem acontecer independente do som que se ouve, e até mesmo sem ele. Dance!
 


     3ª Arte - Pintura (cor); origem Indo-Européia PIG, PEIG, passando pelo Sânscrito PINKTE, “pinturas”, PINGERE em Latim. Este verbo queria dizer “embelezar, enfeitar, pintar” A pintura refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas. O elemento fundamental da pintura é a cor. Atualmente o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual incorporando as características dos elementos que são próprios da pintura, como a cor, a luz e o desenho. Pinte!



     4ª Arte - Escultura (volume); do Latim, “esculpir” era SCULPERE, uma variante de SCALPERE, “riscar, escavar”, é a arte que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial, a arte de moldar ou talhar determinados materiais criando volumes e formas. Esculpa! Molde! Talhe!



     5ª Arte - Teatro (representação);do grego THÉATRON , THÉASTHAI queria dizer “ver, olhar” e theaomai - "olhar com atenção", "perceber", "contemplar". THÉATRON, uma estrutura aberta para representações, “o lugar para ver”, "o lugar para contemplar", é a arte de bem representar, onde uma história (não necessariamente escrita) e seu contexto se fazem reais  e verídicos pela montagem de um cenário e a representação/interpretação de atores em um palco, para um público de espectadores. Com o auxílio de dramaturgos ou de situações improvisadas, de diretores e técnicos, o espetáculo tem como objetivo apresentar uma situação e despertar reações e sentimentos no público.  Veja! Contemple!



     6ª Arte - Literatura (palavra); vem do Latim LITTERIS, “Letras”, LITTERA, "Letra ". Literatura pode ser definida como a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras, um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, que se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística. Um texto é literário, quando consegue produzir um efeito estético. O texto literário é, portanto, aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a língua com liberdade e beleza. "A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade". (COUTINHO, Afrânio). Escreva! Leia!



     7ª Arte - Cinema (integra os elementos das artes anteriores mais a 8ª arte - Fotografia (imagem). do grego: KINEMA, "movimento". O cinema (ou cinematografia), é a abreviação de cinematógrafo... A origem do nome "cinema" vem do fato de que o cinematógrafo, historicamente, foi o primeiro equipamento utilizado para o registro e exibição de filmes. Por metonímia, a palavra também pode se referir à sala de espetáculos onde são projetadas obras cinematográficas. Cinema inclui a técnica de projetar imagens para criar a impressão de movimento, bem como uma arte e a indústria cinematográfica. As obras cinematográficas (mais conhecidas como filmes) são produzidas através da gravação de imagens do mundo com câmeras, ou pela criação de imagens utilizando técnicas de animação ou efeitos visuais. Os filmes são feitos de uma série de imagens individuais chamadas fotogramas. Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador tem a ilusão de que está ocorrendo movimento. A cintilação entre os fotogramas não é percebida devido a um efeito conhecido como persistência da visão, pelo qual o olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a fonte ter sido removida. Os espectadores têm a ilusão de movimento devido a um efeito psicológico chamado movimento beta. Como forma de registrar acontecimentos ou de narrar histórias, o Cinema é uma arte que geralmente se denomina a sétima arte, desde a publicação do Manifesto das Sete Artes pelo teórico italiano Ricciotto Canudo em 1911. 



    Atualmente,  incluem-se outras formas expressivas também consideradas artes:
  8ª Arte - Fotografia (imagem);
  9ª Arte - Banda desenhada (cor, palavra, imagem);
  10ª Arte - Jogos de Computador e de Vídeo (alguns jogos integram elementos de todas as artes anteriores somado a 11ª, porém no mínimo, ele integra as 1ª, 3ª, 4ª, 6ª, 9ª arte somadas a 11ª desde a Terceira Geração dos Videogames);
  11ª Arte - Arte digital (integra artes gráficas computorizadas 2D, 3D e programação).



O selo
É um "agrado" entre blogueiros.




Esse selo eu ganhei da Harah Nahuz, do blog:
http://www.dancaharah.blogspot.com/


E agora, devo presentear 10 blogueiros com o selo: Lari (Tudo por um Livro), Rogério Rinaldi (Só brincos), Karine (O diário da Louca), Renato (Nitro Informática), Jackie (Mundo da Jackie), Leo (Imaginando Criatividade), Leo Mad (Madness), Harah Nahuz (Haridades), André (Escritos Imorais), Simone (Cotidiano).
Como reza a tradição, os blogueiros deverão vir aqui buscar a imagem do selo, depois escrevam de quem ganharam o selo e 7 coisas sobre vcs (temático ou não) e escolham 10 blogueiros para presentear com o selo! Espero que gostem!

11 de mar de 2011

Aos meus seguidores/leitores...

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     Desculpem a ausência... Culpa dos dias que teimaram em passar muito rápido... E culpa de uma inconstância da minha mente... Às vezes resolvo fazer mil coisas ao mesmo tempo, outras vezes me isolo... Necessito do silêncio, de ficar sozinha... Nem isso importa agora, vim justificar-me apenas porque considerei que fosse humano e justo...
     Andei pensando no blog e em alguns comentários relacionados a ele que vou citar aqui:
  • " Seu blog é muito pessoal, as pessoas geralmente fazem blogs para escrever coisas "fofas", comentar as notícias, o cotidiano, a moda, o mundo da TV etc". 
  • "Você não acha que está se expondo muito no blog"?
  • "Achei o blog interessante, meio reality show, porém interessante..."
  • "Seu objetivo ao escrever está relacionado com auto-ajuda"?
Esclarecimentos:

       Eu gosto de escrever... Na época da faculdade comecei um livro de poesias infantis... e tentei escrever sobre a quimioterapia... Não consegui... Eu participo de comunidades e cursos para escritores... Um dos exercícios de um desses cursos consistia em escrever sobre lembranças... Um cheiro, uma fruta, uma viagem, uma pessoa, uma época e sobre algo muito ruim. Eis que, fazendo o exercício consegui escrever sobre a quimio, consegui olhar para trás e escrever... E isso foi muito bom...
      Bom, eu detesto reality show... Também não gosto de auto-ajuda... Ah, sei lá, não gosto da ideia de fórmulas prontas para ajudar alguém... Cada pessoa é única... E a reação é algo espontâneo... Comigo é assim... E se falo do que sinto, exponho minhas ideias, meu mundo, minhas reações... A quimioterapia foi algo muito ruim, um período muito difícil... que, de certa forma, contribuiu para que eu me tornasse um pouquinho mais humana... Um pouquinho só... Ainda tenho mil defeitos... 
     Então, escrevo porque gosto, porque preciso... Não me importo de não ser coerente... São minhas conversas comigo mesma, meu refúgio, uma análise do que mexe comigo, um desabafo... Apenas estou compartilhando isso... Livre de julgamentos...  Aqui estou eu, a partilhar aquilo que sinto!
     Deixo-vos então. Sem mais palavras. Até os próximos textos...

8 de mar de 2011

Dia Internacional da Mulher

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Um Poema de Madre Tereza de Calcutá

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A MAIS BELA DE TODAS AS COISAS - MADRE TEREZA DE CALCUTÁ

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A Fuga!

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     Estávamos no finalzinho de dezembro de 1994... E, tanto eu, quanto meus pais, precisávamos de uns dias para "engolir" o diagnóstico... Não gente, eu não fugi de casa... Eu já tinha combinado de ir para a praia com a Paty e tio Sérgio, ia ficar uns dias e voltaria para começar o tratamento imediatamente... Só pensava naqueles 35% de chance que o médico tinha falado... Imaginava que, com um pouco de sorte, poderiam ser 50% ou 60%... Mas, e se eu não tivesse sorte? Aí ficava irritada e pensava que era uma sacanagem misturar sorte com porcentagem... Aí, minha mãe falava: "confia em Deus minha filha", e tinha horas em que eu confiava, conversava com Ele e pedia para que me ajudasse, que me protegesse... E tinha horas, que eu me revoltava e duvidava Dele...
     Fui para a praia e o tio Sérgio seguia (não sei se ainda segue) umas terapias alternativas, medicina natural, essas coisas... Ficamos um tempo na praia e durante esses dias, meu tio, gentilmente aplicou moxa em mim e me ensinou um pouco dessas terapias. A moxa, geralmente preparada com uma erva (não sei o nome da erva), é uma técnica terapêutica utilizada na Medicina Oriental, para tratar e prevenir doenças através da aplicação de calor em pontos utilizando os meridianos de energia pelo corpo. Também fizemos banhos de ar (cobrir e descobrir o corpo, utilizando uma gravação que tem tempo cronometrado, orientando quando deve cobrir-se e descobrir-se e é indicado para purificar o líquido do corpo, absorver o oxigênio, desintoxicar, fortalecer os órgãos internos, melhorar a respiração e a circulação sanguínea), banhos quentes e frios, também chamados de banhos de contraste (imergir qualquer parte do corpo, ou o corpo todo em água quente primeiro, e depois em água fria, alternadamente - os vasos sanguíneos dilatam quando é aplicado calor, e estreitam com a aplicação de frio. Esta mudança de calibre dos vasos sanguíneos estimula a circulação e acelera o processo de remoção de toxinas), fizemos uma dieta alimentar leve, etc. Meu joelho, continuava quente, mas não doía mais, não aquela dor aguda dos primeiros dias... E a Paty, que nem estava doente, fazia tudo comigo... e ainda dava tempo de irmos tomar sol, andar na praia, paquerar... Enfim nada como o mar para nos acalmar... Ah, eu tinha um paquera , um menino que tinha casa vizinha a casa do meu tio na praia, escutava uns "poperôs" horríveis ( Oh! carol, I am but a fool, Darling I love you... - ele escutava essa música mil vezes, tomara que nunca leia o blog... hahahaha), mas era uma graça, um fofo! Inclusive, passamos o reveillon na casa dele, com a família dele... (Estou imaginando a cara da minha prima lendo isso, hahahahaha)
     Bom, acabou-se a praia e fomos para SP, eu deveria vir embora, para começar o tratamento imediatamente, mas a Carina ia para Ubatuba... E, é lógico que não vim embora nada, fomos para a praia de novo, dessa vez: eu, Paty e Carina! E, de verdade, foram dias maravilhosos...
     Embora eu não tenha começado o tratamento imediatamente, graças a essas fugas para a praia, eu precisava desses dias, e como precisava... Quando você vê o resultado do exame, entra em choque, eu entrei... Primeiro fiquei indignada... Ah, sei lá, eu era ruim, não ruim gratuitamente, era do tipo "não pise no meu calo", falava as coisas meio sem pensar, e, se me magoassem , desejava que sofressem o mesmo... mas, por outro lado eu tinha qualidades também e, no meio de tudo, eu achava que era uma injustiça o que estava acontecendo na minha vida... Eu não tinha maturidade para aceitar numa boa na época, e se fosse hoje, também não sei como lidaria... Acho que ninguém espera passar por isso... e nem planeja como lidar com uma doença grave, um acidente... Você só pensa nisso quando acontece com você, ou alguém muito próximo...

     Minhas sinceras desculpas aos meus amigos mais próximos e aos críticos de plantão, mas eu não sabia ser mais branda e compreensiva na época... Muito obrigada por me suportarem e terem permanecido do meu lado nos piores dias da minha vida...


6 de mar de 2011

Gilberto Gil - Vamos Fugir

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O diagnóstico, médicos e explicações...

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     Com o diagnóstico de Osteossarcoma em mãos, começa a maratona de médicos de novo... O primeiro médico escolhido foi o Dr Reinaldo Gamba (in memorian) que era mestre em cirurgia e Prof. Dr. do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC - Unicamp, um senhor amável que me atendeu em sua clínica e foi a primeira pessoa a me explicar o que era um osteossarcoma e como seria o tratamento... O osteossarcoma é o sarcoma primário do osso, a definição do osteossarcoma implica: um tumor maligno formador de osso com presença de um estroma francamente sarcomatoso e  a formação de osteóide neoplásico e osso pelos osteoblastos malignos. O osteossarcoma clássico ou central costuma ocorrer em adolescentes e adultos jovens. Aproximadamente metade dos osteossarcomas centrais ocorrem na região do joelho, sendo a extremidade distal do fêmur a localização mais frequente. Assim como em outros tumores ósseos, os sintomas não são específicos. A presença de dor aguda e de uma massa são frequentes. Pode haver aumento de temperatura e a presença de veias do subcutâneo dilatadas pelo crescimento do tumor. O tratamento consistia em exames constantes de acompanhamento e evolução do tumor, quimioterapia neo-adjuvante pré-operatória, o que levaria aproximadamente 12 semanas. As principais vantagens da quimioterapia pré-operatória são: a redução do edema, a diminuição do tamanho do tumor e o efeito sobre as micro-metástases; cirurgia, que pode ser ablativa (amputação) ou de preservação do membro (ressecções, endo-próteses, homo-enxertos), dependendo da resposta do tumor ao tratamento pré-operatório, da localização da lesão, da idade do paciente e da perspectiva de crescimento da extremidade; quimioterapia pós-operatória: 6 ciclos, aplicados em um período de aproximadamente 15 semanas após a cirurgia. 
     
     Vocês imaginam a rebelde aqui ouvindo as explicações do médico? Não entendia metade das coisas que ele falava, e ele falava mais ou menos como no texto aí em cima... Eu estava assustadíssima e chorando no consultório, meu pai desmaiou de susto e teve que ser medicado na própria clínica... minha mãe lá, fazendo uma força sobrehumana para não chorar, eu viro para o médico e num tom incisivo digo: Dr Reinaldo, fala em português claro comigo, quais as minhas chances? Suas chances, vou ser bem claro, não há como ser preciso, ficam em torno de 35%, podem ser maiores, ou menores... depende da sua resposta ao tratamento e de um acompanhamento detalhado...
     Eu, que já estava chorando, agora soluçava...


     Os outros médicos escolhidos foram: o dr André A. J. G. de Moraes, oncologista clínico, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e diretor do Centro de Oncologia Campinas e a dra Dra. Mary da Silva Thereza, oncologista clínica do mesmo Centro, que me explicaram o que vinha a ser a quimioterapia... O tratamento quimioterápico (feito por meio da aplicação de um conjunto de medicamentos na veia do paciente) tem vários efeitos no corpo, como uma baixa da imunidade (capacidade do corpo de combater infecções), náuseas, vômitos, tonturas, a queda dos cabelos (e não só dos cabelos, mas dos fios do corpo todo)... O princípio dos remédios que são usados na quimioterapia é atacar as células do corpo que se proliferam rapidamente, porém, o medicamento não tem “preferência” por uma célula ou outra, por isso ataca tanto as que estão “doentes” quanto às outras que se proliferam com rapidez. No meu caso, fui avisada que ia perder os cabelos... Dra Mary, extremamente amorosa, sugeriu inclusive que eu os cortasse antes de iniciar o tratamento, para não sofrer tanto... e Dr André disse que era  importante começar o tratamento imediatamente... De novo, saio de lá chorando... e fugi...


3 de mar de 2011

Momentos tensos: lembranças de minha adolescência e um diagnóstico...

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    O que recordo da minha adolescência?
    Creio que fui uma adolescente extremamente rebelde, impulsiva, explosiva e má... Lembro, principalmente, das  eternas negociações/ “discussões” com o meu pai quando queria sair e ele achava que eu ainda era muito nova para ir à danceteria, shows ou festas... Comecei a sair com mais de 15 anos e, antes de sair, tinha que responder um interrogatório: “Aonde você vai“? “Com quem você vai”? Ah, e tinha hora para voltar... Ai de mim, se atrasasse um minuto... Graças ao meu geniozinho teimoso, isso foi melhorando, os horários aumentando...
     Enfim, curti minha adolescência, desejando fazer 18 anos, com uma trilha sonora embalada por: Legião Urbana, Cazuza, Rita Lee, Titãs,  Capital Inicial, Golpe de Estado, Raulzito,  Ramones, Sex Pistolls, Metallica, Van Hallen, Rush, Green Day, Offspring, Radiohead, Nirvana, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Counting Crows, Foo Fighters, Guns n' Roses, U2, Red Hot Chili Peppers, The Doors, Beatles, Bob Marley etc.
     Lembro dos amores platônicos em que o escolhido nem sabia... E eu já sofria por amor hahahahha! Lembro do primeiro beijo numa brincadeira de pêra, uva e salada mista, dos paqueras, dos beijos melhores que o primeiro, do primeiro namorado, de adorar ganhar flores desde essa época, e nem precisava ser buquê, podia ser um botãozinho com um bilhetinho que eu já ficava feliz! E, quando ganhava uma flor com um bilhete anônimo era melhor ainda, virava detetive por dias, semanas, tentando descobrir... 
     Lembro do primeiro porre, numa festa do vinho no Poli, até rimou heim? Hahahaha! Lembro de dispensar uma pessoa que eu estava adorando, só para poder aproveitar a festa com as minhas primas Patrícia e Carina... Ah, eu avisei que fui má.  E a Patrícia  ainda colaborou chamando "carinhosamente" o menino de "bobão", que de bobo, diga-se de passagem, não tinha nada, era super divertido e carinhoso, um amorzinho... Lembro de um amigo que virou ficante, mas era uma coisa só escondida, até que fiquei muito apaixonada e ele não mais me quis... Nunca entendi bem... Mas foi o pior fora que já levei na vida...
    Lembro, de, um tempo depois,  perder um amor para uma amiga... Não, não era colega não, era amiga mesmo... E não era um paquerinha não, era um amor mesmo, um namoro oficial que já durava mais de 1 ano... Enfim, perdi alguns amigos, mantenho outros até hoje e fiz novos... Lembro dos amigos da escola, tanto em Pinhal quanto aqui, das gincanas, da Camila e da época que a gente era grudada e ficava passando trote nos outros, rindo de tudo, os Carnavais com camisetas de blocos... Saudade!
     Lembro que adorava a boatinha do Recreativo em Pinhal, saudade imensa dos amigos de lá: Bibi, Bárbara, Carla, Lúcia, Evanise etc,  e também vivi  a "era de auge" do Rio Branco, com os showzinhos lotados, as festas: festa brega, festa à fantasia, Halloween, todo mundo à caráter, na companhia das minhas queridas amigas e amigos. Época boa demais... Sinto uma saudade imensa... Saudade também dos esquentas na minha casa ou na casa da Giovana... Fases que podem ser divididas em duas: início antes do diagnóstico e continuação depois do tratamento... O lado bom é que vivi duas vezes...
      E saudade da época que minhas primas e meus amigos de SP estavam sempre aqui... Dos churrascos, de acordar e ir para as cachoeiras, faz tempo que não faço isso... Dos amigos que se tornaram parte da família, especialmente: Seu Mauro, Nilce, Simone, Maurinho, Espectro, Aster, Vasco, Toca, Presunto, Carla, ah muita gente que veio a acrescentar muito na minha vida e que, não importa quanto tempo passe, sempre terão um lugar especial no meu coração...
    Eis que, depois de uma adolescência razoavelmente normal, eu descubro que as coisas não mudam muito só porque se fez 18 anos... A gente começa a pensar em vestibular, a sonhar com a faculdade e, a tão sonhada liberdade, cede lugar a novas responsabilidades... Bom, no meio do cursinho, meus projetos tiveram que ser interrompidos/adiados... Do nada, começo a sentir dor na perna esquerda, começa uma correria de um médico para outro, a dor aumenta e meu joelho trava, eu não conseguia mais dobrar a perna...  Enfim, depois de muitos exames, Dr Fábio, vê uma mancha num raio X e diz: “eu aconselho vocês a procurarem um especialista em Campinas, isso pode não ser nada, só uma calcificação extra, ela sempre foi muito ativa... Mas também pode ser um tumor ósseo”. Lembro dessas palavras como se fosse hoje e choro de novo ao lembrar... Recomeça a maratona de médicos em Campinas, a dor não passava por nada, nenhum remédio resolvia, um exame atrás do outro: tomografia, ressonância, cintilografia óssea e nenhum exame dava um diagnóstico preciso. Eu, que já era rebelde, agora tinha uma causa e só fazia me perguntar “porque isso está acontecendo comigo“? 

    Ah, cheguei ao cúmulo de culpar meus pais, “tudo culpa de vocês”, eu dizia...  Aff, não sei porque eu invento de escrever sobre essas coisas, é doloroso lembrar, choro igual criancinha... Bom, acho que escrevo para lavar a alma mesmo...
     O ano?  1994
     O mês? Dezembro
     A  biópsia e o diagnóstico: 


     Meu mundo caiu, literalmente... Mas isso é assunto para outra postagem...

28 de fev de 2011

Marisa Monte - Gentileza

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A cena do dia!

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     Bom, quem me conhece, sabe que eu reparo em gentilezas... Acho lindo! Não, não sou a pessoa mais gentil do planeta, longe disso... Bom, já cedi meu lugar numa fila para uma pessoa mais velha, já viajei em pé no ônibus para que uma mulher que carregava uma criança no colo se sentasse, já ajudei uma senhora no supermercado olhando os preços dos produtos, pois ela não os enxergava... Enfim, pequenos gestos... O fato é que reparo!
     Ser gentil é a capacidade de olhar o outro... Para mim, é o gesto de abrir uma porta, carregar um pacote, ceder o lugar, oferecer um ombro amigo, dar uma flor, enfim sensibilizar-se. Ah, sei lá, eu devo ser muito sensível, piegas e romântica... Às vezes, acho que nasci na época errada... Vai ver é isso...
     Eis que hoje fui ao médico com a minha tia, paramos o carro em frente ao consultório, uma chuva que Deus mandava, uma tempestade mesmo, não dava para descer do carro, ficamos lá esperando a chuva diminuir um pouco. Passado um tempo, vejo a cena do dia: um senhor saindo do consultório de braços dados com sua esposa, aproxima-se do carro, abre a porta para a mulher, fecha a porta, dá a volta no carro, entra e vão embora felizes! Poxa, estava chovendo, sei lá, ele podia ter ido direto sentar-se ao volante... E, no entanto, pacientemente, gentilmente foi abrir a porta para a mulher primeiro!
     Achei a cena linda! Acho realmente belo quando um homem, principalmente um homem, realiza estes gestos para com uma mulher! Pena que eu não conheça muitos homens gentis...
     Como já dizia o profeta:

José Datrino, mais conhecido como profeta Gentileza (Cafelândia, São Paulo, 11 de abril de 1917 — Mirandópolis, São Paulo, 28 de maio de 1996) foi uma personalidade urbana carioca, espécie de pregador, que tornou-se conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba. "Gentileza gera gentileza" é a sua frase mais conhecida. (Wikipédia)


27 de fev de 2011

Lembranças de minha infância...

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     A primeira lembrança que me leva a infância é a presença de meus pais: minha mãe, sempre exageradamente zelosa e amorosa. Meu pai bebia... e, quem conviveu com um alcoólatra na família, há de compreender melhor, como é difícil...
     Há muitos filhos de pais alcoólatras que amargam a triste sina de presenciar ou de sofrer a violência por parte daquele que assumiu a responsabilidade de proteger e educar. Não, meu pai não me batia... Mas desde muito pequena, era-me constrangedor e doloroso ver e presenciar as discussões e brigas que ele provocava em casa, sob o vício do álcool tornava-se desequilibrado, implicante e agressivo. Qualquer coisinha era motivo para discussão... E, vi, por mais de uma vez, ele agredir minha mãe... É doloroso crescer com isso, parece que as imagens e cenas ficam gravadas na gente para sempre...
    Em seguida, lembro do meu irmão, com um carinho enorme. Fecho os olhos e consigo lembrar dele pequenininho, a imagem que me vem à mente: eu devia ter uns 3 anos e estava ajudando minha mãe a banhá-lo... Enfim, crescemos brincando e brigando juntos...
    Vasculho a minha mente em busca de lembranças, e uma cena em particular, me pede explicações...
    Certa noite, estávamos eu e meu irmão correndo pela casa, e um de nós esbarrou no rádio-relógio que ficava no quarto dos meus pais. É óbvio que o rádio-relógio caiu e espatifou-se. Porcaria de rádio-relógio, meu pai promoveu verdadeira tortura psicológica para saber quem o havia quebrado. Não sei se meu irmão lembra disso, eu sei que lembro nitidamente, e minha consciência ainda hoje me pede satisfações. Realmente, não sei quem quebrou o rádio-relógio, mas devia ter dito que havia sido eu e pronto... essa cena me vem à mente com uma certa frequência... Ah, se tivesse como voltar nesse dia...
     Em meio às lembranças tristes, surgem também lembranças maravilhosas e engraçadas... Lembro do meu irmão ser meu companheirinho de jogos e brincadeiras na rua, lembro dele fazer um foguete espacial com um daqueles carros infantis (parecia um fusca) e quase explodir a casa, de jogarmos vídeo-game juntos, dos desenhos animados, de brincar que éramos os "thundercats", ele tinha o thundertanque e um monte de bonecos... Lembro da gente cantar e dançar embaixo da ameixeira que havia no quintal de casa... E, como ele gostava de ameixa! Lembro de irmos à igreja juntos, das viagens para a praia, dos momentos maravilhosos com os primos nas casas das avós...
     Ah, as avós e avôs merecem destaque especial em minhas lembranças, saudade imensa de quando todo mundo se reunia na casa da vó Lica, e o vô Atílio ficava contando histórias de terror ou levava a criançada no quarto dele para tocar e ouvir bandolim e violão... E, quando todo mundo inventava de pular na bicama de mola como se fôssemos super-heróis?
     Delícia reviver esses momentos, lembrar das histórias que a vó Lica contava de quando era criança, de jogar bingo com os netos e ensinar todo mundo a contar em italiano hahahahaha! E os pães q ela fazia... que saudade!
     A casa da vó Ana, também me traz ótimas lembranças... O vô Alcides, sempre amoroso! Aquela turma de netos correndo pela casa deles, a vó descascando laranja para todo mundo, contando historinhas... Ela fazendo crochês lindos, a criançada fazendo da rampinha de entrada da casa dela um escorregador...Os churrascos que até hoje acontecem, as roscas e pães... Ô coisa boa!
    E, hoje, vejo que muitas lembranças boas ficaram na memória. Apesar do vício, sou grata ao meu pai, é claro que tenho mágoa de algumas situações, mas por outro lado, vejo que embora ele bebesse, nunca deixou que nos faltasse nada. Era trabalhador e honesto. Nos dias em que não bebia, era brincalhão e alegre... Brincava conosco de pique-esconde, jogava vôlei na rua, levava a gente no clube para nadar. Adorava nadar com o meu irmão. Levava a gente ao cinema, ao circo, às festas populares, para tomar sorvete, comer pizza... Às vezes parecia meio envergonhado, e, ao seu modo, tenho certeza que ele nos amou. Hoje ele não está mais entre nós, faleceu em 10/07/2001... E, desejo de coração, que esteja bem onde estiver! Às vezes, fico pensando que poderíamos ter feito melhor... Todos nós... (pausa para chorar).
     Das amigas que não eram tantas, lembro-me da Fernanda, da Luciana e do Jorge, meus vizinhos... Do grude que eu era com as minhas primas Patrícia do lado paterno e Eliane do lado materno, hoje mal nos vemos... Ah, lembro da Laís, da Taninha, da Audrey, que eram vizinhas da minha vó em Andradas e minhas companheiras de brincadeiras nas férias... Detalhe, A Taninha é minha amiga até hoje, grande amiga mesmo!
     Lembro das brincadeiras de rua como amarelinha, pique-esconde, pique bandeira, passa o anel, pular corda, andar de bicicleta, subir em árvore, brincar de cantar, dançar, apertar campainha alheia, brincar de casinha e de boneca, das aulas de balé, das festas de São João e dos Natais...
    Minha mãe sempre presente, cuidava dos afazeres domésticos, vigiando nossas brincadeiras, colocando hora em tudo: hora de fazer dever, hora de tomar banho, hora de brincar, hora de dormir... Lembro dela dizer quando engolíamos uma semente de laranja que nasceria uma laranjeira dentro da barriga e às vezes, sério mesmo, ficava imaginando que tinha um pomar na barriga. hahahahaha
    Ela também dizia: "Cuidado, não engole o chiclete que além de poder engasgar, ele vai grudar na sua barriga e vai ficar tudo colado lá", " Tem que comer fruta e verdura para ficar bonita e forte, você quer ficar feia?"
     Tão carinhosa e preocupada conosco... A gente não podia espirrar que ela já corria para o médico... Até hoje ela ainda fala: "coloca um chinelo no pé que você vai ficar doente menina!" hahahahaha E tenho mais de 30 anos!
    Lembranças... Eu continuaria lembrando, infinitas são as lembranças que me ocorreram ao escrever, chorei e ri, lavei a alma duas vezes, mas não devo alongar ainda mais o texto.  Pena que não havia câmera digital!