24 de abr de 2011

Selo! Presentinho!

23 comentários

      Ganhei o selo do blog da Mari, via Cris.Selene do blog: 
   "Dai ni no jinsei"
    Obrigada por indicar o meu blog Cris!

     Bom, existem umas regras pra esse Selinho:

 1) Repassar para outros blogs;
 2) Responder as perguntas:
 
Nome: Juliana
Idade: 33
Melhor música: difícil escolher a melhor música... São muitas melhores músicas...
Melhor livro: são muitos também... Mas vamos lá: Guerra e paz, Leon Tolstoi
Cor: azul
Seu melhor passatempo: ler, escrever, desenhar, pintar...
O que você acha do Tutorizar: Acabei de conhecer e gostei!
 
     E os meus indicados são:
Harah Nahuz (Haridades), Simone (Cotidiano),  Lari (Tudo por um livro), Eric (Eric Bustamante de Almeida e Bh de bicicleta)
   Obs: Se não conseguirem "pegar" a imagem do selo no meu blog, visitem o blog "Dai ni no jinsei", da Cris! Obrigada de novo Cris!

11 de abr de 2011

Mentes Perigosas...

7 comentários
     Fugindo um pouco do tema "quimioterapia" e chocada com a barbariedade do crime em escola de Realengo... Fui professora de crianças, tanto no ensino infantil quanto no fundamental... E, mais do que o compromisso moral de solidariedade e antes que apareçam "defensores" destacando a vida difícil e amargurada do assassino Wellington Menezes de Oliveira... Parei esses dias... Minutos de silêncio... Mas nem silêncio consigo fazer direito...  Não paro de pensar... O que levou esse rapaz a  fazer o que fez? Bom, não sou psiquiatra... Mas, não há nada que justifique...
     Não faz muito tempo li o livro: Mentes Perigosas - o psicopata mora ao lado, da Ana Beatriz Barbosa Silva e gostei muito. O livro não é cheio de teorias nem voltado exclusivamente para profissionais da área... É fácil de entender e apresenta algumas situações vivenciadas por vítimas... Dias atrás, postei uma nota no facebook sobre o livro e vou reproduzir aqui:

     O livro alerta para o perigo de psicopatas na sociedade e mais próximos de nós do que imaginamos. Reúne uma coletânea de casos polêmicos e discorre sobre pessoas frias, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa. Esses 'predadores sociais' com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social.
     Alguns psicopatas e sociopatas são tão agressivos e violentos, que necessitam internação compulsória e vitalícia, para proteção da própria sociedade e deles mesmos.
     Não existe defesa totalmente segura contra eles. Segundo os psiquiatras muitos atos cometidos com crueldade atuais ou não, podem ter origem nesse mal. O grande desafio é reconhecê-los, devido a capacidade de enganar com perfeição e dizer exatamente o que você quer ouvir, que eles possuem. Você só descobre que cruzou o caminho de um psicopata, após ter sido prejudicado por ele.
     O psicopata não é exatamente um doente mental, mas sim um ser que se encontra na divisa entre sanidade e a loucura. O ser humano normal é movido pelo triângulo: razão, sentimento e vontade. O que move um psicopata é: razão e vontade, ou seja, o que os move é satisfazer plenamente seus desejos, mesmo que isso envolva crimes como: golpes financeiros, roubos, furtos, estupro ou assassinato. Não importa, já que para eles não existe o fato: sentimento.
    Diagnosticar um psicopata não é tarefa fácil, pois o psicopata pode ludibriar, não porque ele seja um superdotado, mas o fato é que ele usa 100% de rendimento de sua inteligência. Explicando: eles não se afligem com nada, não existe neles a catatimia (que é a interferência da emoção sobre a razão ou seja, eles não tem os “brancos” que as pessoas normais tem ao enfrentar uma situação estressante). A racionalidade deles é tamanha que não são pegos em detectores de mentira. Sabem exatamente o que estão fazendo e mentem com naturalidade. Não há tratamento para esses casos. Psicoterapia e psicanálise podem até ensiná-los a manipular com ainda mais maestria, uma vez que aprendem detalhes sobre o comportamento humano. Eles não têm o tipo mais comum de comportamento agressivo, que é o da violência acompanhada de descarga emocional (geralmente raiva ou medo) e nem ativação do sistema nervoso simpático (dilatação das pupilas, aumento dos batimentos cardíacos e respiração, descarga de adrenalina, etc). Seu tipo de violência é similar à agressão predatória, que é acompanhada por excitação simpática mínima ou por falta dela, e é planejado, proposital, sem emoção ("a sangue-frio"). Isto está correlacionado com um senso de superioridade, de que eles podem exercer poder e domínio irrestrito sobre outros, e se consideram mais que os outros, muitas vezes desenvolvem filosofias próprias e místicas, como se fossem escolhidos para fazerem o que fazem...
     Quanto aos seus crimes, cabe a psiquiatria forense avaliar se ele é imputável ou semi-imputável, do ponto de vista jurídico normalmente ele é considerado semi-responsável, indo para um Hospital Psiquiátrico, sendo avaliado de tempos em tempos, para ver se existe a possibilidade de voltar ao convívio social. Mas eles se tornam um problema seja nos presídios, hospitais psiquiátricos e outros.
     A possibilidade de você já ter encontrado um em seu caminho é grande, pois pelas estatísticas da Organização Mundial da Saúde, representam de 1% a 4% da população mundial.
     Psicopatas na história mundial: Jeffrey Dahmer, Ted Bandy, Charles Manson, Richard Ramirez, O Zodíaco (nunca pego ou identificado), John Wayne Gacy Junior (o palhaço assassino – “IT” do livro do Stephen King da vida real), Jack o Estripador (nunca pego ou identificado). Pedro Alonso Lopes (Colombiano acusado de mais de 300 assassinatos), Henry Lee Lucas, Robert Pickton, Erzsebet Bathory (Condessa húngara matou não menos de 650 pessoas durante seus 54 anos de vida), Adolph Hitler, Udai Hussein (filho de Sadan Hussein que mandava torturar jogadores de futebol e cometia atos de sadismo), Dr Josep Mengele (conhecido como Anjo da Morte no campo de concentração de Auschwitz durante a segunda guerra mundial), Dra Herta Oberheuser (Alemanha durante a segunda guerra mundial).
     Na história brasileira: Suzane Louise von Richthofen, Guilherme de Pádua, Champinha, Francisco de Assis Pereira (O Maníaco do Parque), Francisco Costa Rocha (Chico Picadinho).
     No Brasil ainda temos um agravante no item psicopatas, se os mesmos forem “Menor” ao serem descobertos, devido as leis brasileiras, o menor pode ficar no máximo três anos detido, o que na maioria das vezes não ocorre.
     O desafio para se fixar uma idade mínima para a imputação penal é tão complexo que em todos os países do mundo é motivo de muita polêmica e acaloradas discussões... Dependendo da gravidade do crime, podemos observar as diversas idades mínimas para responsabilidade criminal em alguns países:
Austrália e Suíça - 7 anos
Equador - 12 anos
Dinamarca, Finlândia e Noruega - 15 anos
Argentina, Chile e Cuba - 16 anos
Polônia - 17 anos
Colômbia, Luxemburgo e Brasil - 18 anos
EUA - A partir dos 6 anos, cabe ao juiz decidir se o infrator deverá ser julgado como adulto ou não;
Inglaterra - Não tem idade mínima preestabelecida, uma criança pode ser julgada como adulto dependendo da gravidade do crime

     O que fazer com um psicopata que cometeu um crime?
     Ele pode ser novamente colocado em convívio com a sociedade?
     Como identificar um psicopata antes que ele cometa um crime grave?
     E, uma vez identificado como previnir, se não existe uma lei para isso?

    Um minuto de silêncio pelas crianças que morreram no Rio de Janeiro e que nossos políticos, mais do que criticar a venda de armas de fogo e lamentar a violência, criem leis específicas, aprimorem a segurança geral da população e  invistam no diagnóstico e tratamento da psicopatia.
    Eis aí a nota...

    E agora, diante da divulgação pela mídia de trechos da carta deixada pelo assassino e com alguns comentários feitos por especialistas como: Alexandre Rivero, psicólogo especialista em relações humanas, "a carta deixa evidente que há uma ruptura com a realidade". Os indícios levam a crer que o atirador era psicótico e tinha uma doença mental, explica a psiquiatra forense Lícia de Oliveira, do Hospital das Clínicas de São Paulo - O conteúdo místico e religioso da carta é comum nos psicóticos. Os familiares e amigos dizem que ele era isolado. Tudo leva a crer que é um psicótico, que sofre com quebra de realidade.
    E, ainda que hajam diferenças entre psicopatas e psicóticos, é óbvio que Wellington Menezes de Oliveira planejou cada detalhe do crime. Um dos trechos da carta que mais me chamou a atenção foi: “Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado à uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se sustentar, os animais não podem pedir comida ou trabalhar para se alimentarem…”
     Wellington não é um serial killer. É um “assassino em massa”... E nos deixou esse parágrafo para confundir nossos julgamentos simplistas? Ele defendeu tanto que os animais são seres indefesos e merecem proteção, que foi atirar logo em crianças? Suas palavras foram premeditadas, assim como o seu ato foi? Como ele teria alguma compaixão por animais e mataria pessoas?
     O assassino Wellington entrou na escola alegando que faria uma palestra... Como ninguém confirma se haveria tal palestra? Após sua morte foi encontrado em sua mochila uma carta de suicídio com instruções sobre o que as pessoas que encontrariam seu corpo deveriam fazer. Na carta fala-se em repúdio as pessoas não castas e ordem de um funeral semelhante ao realizado por suicidas radicais islâmicos. Ele também fala em perdão de Deus e volta de Jesus, crenças que não são ligadas ao Islamismo. Wellington frequentou a Igreja Testemunha de Jeová até sua mãe morrer, em 2010, a partir de então abandonou a denominação e se fechou ainda mais.
    Com o andar das investigações, familiares, amigos e pessoas que conviviam com Wellington revelam uma transformação na vida do jovem após a morte da mãe: “Ele passou a andar de preto, veio com essa história de religião, deixou a barba crescer”, afirmou o vizinho do assassino. Já segundo outro amigo que não quis se identificar, o assassino afirmava que teria começado a frequentar uma “religião secreta”. Seu primo afirma que na época das Eleições, Wellington já estava com uma longa barba, chegando na altura do peito. Em recente depoimento a polícia, o sobrinho do assassino revelou que após estudar sobre os atentados de 11 de Setembro, Wellington afirmava que faria o mesmo com o Cristo Redentor.
     Para o teólogo católico Leonardo Boff, o assassino era maniqueísta, ou seja, cria uma filosofia religiosa básica que divide o mundo entre bem ou mal.
     Há ainda, alta semelhança entre a carta de Wellington e a do terrorista Mohammed Atta que morreu nos atentados de 11 de setembro: nas cartas é possível ver referências a Deus, repúdio a “impuros”, listas de pedidos após sua morte e distribuição de suas posses por quem precisa. Inclusive, as especificações de funeral são praticamente as mesmas: ambos pediram uma pessoa da mesma crença para sepultá-los, oração para subir aos céus e luvas para quem tocar em partes “impuras”.
     Traduzindo: Para saber exatamente, só se algum médico tivesse examinado o atirador para identificar-lhe a periculosidade. E, ainda que o tivessem examinado... Um psicológo ou outro especialista parece ter atendido o assassino... Em 5 sessões... O que poderia ter sido feito? O que poderia ter impedido esse crime?
     Como fica a assistência ao "doente mental": perturbado, psicótico, sociopata ou psicopata depois desta tragédia?
     Como fica o mercado de armas?
     Será que muda alguma coisa?
     Enfim, deixo-vos... 1 minuto de silêncio...

8 de abr de 2011

Quimioterapia - trilha sonora - parte 2

6 comentários
     Agora, a música que realmente representa a trilha sonora da quimioterapia é: A Montanha Mágica.
     Num dos raríssimos momentos de bom humor, falei para a minha mãe e para a equipe toda do hospital que a música tinha sido feita para mim e todos tinham que ouvir comigo e ainda perguntava se queriam autógrafos...

A Montanha Mágica
Legião Urbana
Composição : Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá

Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal

Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é por incidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal

Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto prá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes
Agora só artesanato:
O resto são escombros

Mas, é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio 38

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia

Chega, vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol
Num copo d'água

     A montanha mágica, uma das faixas de V - quinto álbum da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em 1991, retrata a dependência química de Renato. 
     Segundo o próprio Renato, em trechos de uma entrevista para a Folha (1994): “Eu estava me destruindo e, em vez de me matar com um tiro na cabeça, preferi procurar ajuda. Isso vem desde os 17 anos, mas no "V" foi a primeira vez que coloquei na música essas questões. "A Montanha Mágica" é sobre isso. Eu era jovem e acabei entrando num beco sem saída. Isso foi me consumindo, eu ficava deprimido e não sabia o porquê. Achava que o mundo era horrível, igualzinho ao Kurt Cobain, nada mais valia a pena. E isso é estranho porque, se eu achar um dia que as coisas não valham a pena, quero estar com a cabeça no lugar, e não com o corpo cheio de toxinas. Parei com todo tipo de droga e vi que as coisas não eram tão ruins".
      O álbum As Quatro Estações, foi lançado em 1989, mesmo ano em que Renato Russo descobriu ser portador do vírus da AIDS, em pleno auge da carreira. O disco aborda temas como a própria AIDS, na música ‘Feedback Song for a Dying Friend’ e o bissexualismo, em ‘Meninos e Meninas’. O quinto disco ‘V’ foi lançado em novembro de 1991,  foi produzido na época em que Renato tinha descoberto ser portador do HIV, além de passar por problemas no relacionamento amoroso, e com o alcoolismo e drogas.
      Na coletânea Música para Acampamentos (1992), A Montanha mágica" possui três músicas incidentais, uma de Leiber e Stoller ("You've Lost That Lovin' Feelin'"), uma de John Lennon ("Jealous Guy") e uma dos Beatles ("Ticket to Ride").

     Eu não usava drogas, mas lá estava eu, dependente de quimioterapia... Meu joelho doía e aquilo tudo me fazia muito mal... Para que serviam os anjos? Todo mundo saudável vivia a minha vida... Eu era uma cópia e às vezes tudo que eu queria, era um dia de Sol...

     A Montanha Mágica também é o nome de um livro escrito por Thomas Mann em 1924, embora não haja comprovações de uma relação entre as duas obras, é interessante ressaltar que o livro conta a história de um jovem que descobre ter uma doença incurável... Pelas palavras do próprio autor: "o livro narra a história de Hans Castorp, um jovem sem muitas qualidades. Estava um pouco esgotado, ao término de seu curso de engenharia. Antes de assumir um alto cargo na firma dos parentes, vai para um sanatório na montanha para repousar por quinze dias, com o pretexto de visitar o primo tuberculoso. Os médicos descobriram que ele trazia a doença embutida, e fica interno também. Então opera-se uma transformação nele, paulatinamente, à medida em que vai vivendo nesse lugar em que parece que o tempo não existe. Vai conhecendo os hóspedes da clínica, que parece não terem nada de extraordinário. São de fato pessoas comuns que pegaram uma doença incurável, na época, e convivem com ela da melhor maneira possível. Quanto melhor é essa convivência, quanto mais parecem normais, mais ganham profundidade psicológica, mais vamos conhecendo quanto de humano pessoas comuns carregam dentro de si. Como não poderia deixar de ser, há a discussão religiosa – na pessoa de duas das personagens mais interessantes, mais complexas, um escritor e um jesuíta, dois pândegos a princípio, que vão crescendo e dominando a cena. É a cidade de Deus e a cidade dos homens em luta, ambas carregadas de erros, tentando justificar-se e impor-se. O desenlace dessa disputa será o clímax do romance. Sem vencedores, mas com perda e desengano. No entanto, a vida continua. Hans Castorp conhece ou pensa conhecer o amor. Não percebe que quem vive nas suas condições não tem direito de amar. Como se dissesse que quem vive nas condições em que todos nós vivemos a vida não tem direito a amar. É às vésperas da 1ª Guerra Mundial, quando o mundo vai transformar-se. Hans Castorp amadurece de repente – isto é, falamos que ali o tempo não existia, mas é tão vagarosamente que se passam as transformações nas pessoas que, quando vêem, já são outras. Como se fosse de repente. Nada poderia ser de repente num livro de 800 páginas. Nada poderia ser mais surpreendente num livro de tantas páginas, em que não acontece nada, e que nos deixa presos àquele mundo cheio de humanidade, que sangra sem que se perceba, que morre – e olha-se com galhardia a morte –, enquanto vamo-nos enriquecendo interiormente. Não é apenas Hans Castorp que cresce ao longo do romance. Não são apenas as personagens – sem grandeza como nós – que crescem ao longo do romance. Nós também. Ler 'A Montanha Mágica' é aprender a morrer. Quem vive está morrendo um pouco, e nessa montanha se vive muito devagar"...
     Também de um livro de Mann, Tônio Kroeger, é a frase citada em Sereníssima: "Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço".

Quimioterapia - trilha sonora - parte 1

1 comentários
     Devido à tristeza dos últimos textos, achei que seria oportuno incluir alguns momentos engraçados e combiná-los com a trilha sonora da quimioterapia.
     Desnecessário dizer que meus momentos de bom-humor eram cada vez mais raros... Mas vamos lá:
     Lembro de uma vez internada, sessão de quimioterapia no hospital, ficava 4 dias num quarto escuro... Aí reclamei com o médico que precisava dar uma voltinha e ver o Sol... (coisas que a gente nem lembra de reparar na correria dos dias). E ele era bravo, respondeu assim: “desenha um sol e cola na parede porque a medicação não pode ficar exposta à luz“... Desenhei o Sol, colei na janela e liguei o som (sim, podia ouvir música e ver televisão). E, por um dia inteirinho, meus médicos e meu “exército” de enfermeiros, tiveram que ouvir e cantar comigo:

Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto
Legião Urbana
Composição : Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,
Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor,

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só.
   
     Uma outra vez, minha mãe tinha saído e meu amigo Espectro ficou me fazendo companhia no Hospital, eis que ele começa a ler um gibi da Mônica para mim, já viram alguém entender uma leitura de gibi sem ver os desenhos? Eu falava: "Espectro deixa eu ver"... Ele respondia: "Não, presta atenção que eu estou lendo para você"... E assim foi até ele terminar a leitura, não havia argumento que o convencesse que eu não estava entendendo nada... hahahahahaha.
     Querido amigo, que acompanha o blog, o que vale é a intenção e serei eternamente grata à sua amizade e dedicação na leitura daquele gibi...