29 de mar de 2011

Quimioterapia - parte 4

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     Enjoos e vômitos constituem uma das piores partes da merda do tratamento... Eu praticamente mudava-me para o banheiro após cada sessão de quimioterapia, não conseguia comer praticamente nada, exceto maçã verde bem azeda, Yakult, coca-cola e água... Vomitava mil vezes seguidas... Nojento! Beber muitos líquidos era importante para ajudar a eliminar os resíduos da quimio, mas tinha dias que não tinha forças nem para beber água...
     Eu sentia dores pelo corpo todo, câimbras, fraqueza nos braços e pernas, tonturas... Eu sabia que precisava comer, mas era impossível... Enfim, só conseguia voltar a comer depois de passar uns dias vomitando sem parar...
     A outra parte da merda é chamada de baixa de leucócitos, os leucócitos são as células de defesa do nosso organismo e caem muito na quimio... Eu tive fases críticas de baixa de leucócitos, de ter febres super altas e precisar ser internada às pressas, fazer transfusões de sangue e ficar dias na UTI ou CTI... A baixa dos glóbulos brancos, (leucócitos) é um dos piores efeitos colaterais dos medicamentos quimioterápicos no tratamento do câncer e expõe o paciente a outras doenças porque o organismo fica indefeso... Neutropenia é o termo médico usado para a queda dos leucócitos e neste estado o risco de infecções é alto. Cheguei a usar o medicamento Granulokine, recomendado pela minha médica, com a intenção de “brecar” a baixa de leucócitos. Era tipo uma vacina, e o meu amigo Aster era, na maioria das vezes, quem me carregava no colo, para tomar esse medicamento. Era uma injeção extremamente dolorida e funcionava às vezes e, várias outras vezes não “brecava” a baixa de leucócitos, e de repente lá estava eu com uma febre de 38, 39 graus e tinha que “voar” para Campinas e ser internada com risco de vida... Ficava na UTI com máscara e, teve  dias especialmente trágicos, em que cheguei a fazer várias transfusões de sangue e minha mãe teve que assinar termo de responsabilidade no hospital... “Estavam tentando tudo que era possível e eu não estava reagindo"... Imaginam como é doloroso para uma mãe assinar um papel desses?
     Eu lembro bem de um desses dias trágicos, minhas avós foram me visitar na UTI, única vez que elas me visitaram... Vi elas entrando de máscara e minha mãe tinha saído para que elas pudessem me ver... Eu via elas lá e não conseguia falar nada... Não entendia o que estava acontecendo e não tinha forças para dizer uma palavra. Depois elas saíram e vi de relance a Carla, minha amiga... Depois vi minha prima Patrícia e a Simone... Depois minha mãe voltou e ela estava triste, um choro mudo saía de seus olhos... E foi nesse exato instante que recuperei a força de pensar... Comecei a entender que aquelas pessoas tinham ido se despedir de mim caso o pior acontecesse... Não havia muito o que fazer... Já havia feito várias transfusões de sangue e não melhorava... Então, pensei em rezar, mas achei melhor brigar com Deus... Falei para Ele que a minha mãe estava lutando por mim e ela não merecia perder... Falei que não entendia bem como funcionava o sistema Dele... E que era extremamente fácil eu ter acabado com tudo aquilo... Sim, houve momentos em que suicídio passou pela minha cabeça sim... Mas,  eu jamais teria coragem de desistir... Então Deus, você é quem está desistindo de mim... Você está fazendo a minha mãe chorar... Acha certo? Acha mesmo certo? Seja feita a vossa vontade! Só isso... E, foi uma crítica num tom super irônico...  Nessa época, eu não tinha uma relação boa com Deus não... Continuava revoltada e irritadíssima... Eu brigava muito com a minha mãe, por mais que ela fizesse... Não justifica, mas de certa forma, eu descarregava em cima dela... Levava mil broncas dos amigos mais próximos, do Espectro principalmente... E as broncas de nada adiantavam...  Mas era mais ou menos como irmãos que brigam entre si, se alguém de fora fizer algo ao seu irmão, por mais que você brigue com ele, você o ama e toma as dores... Você pode brigar com ele, só você e mais ninguém... E, no caso, Deus estava fazendo a minha mãe chorar, não era eu quem estava brigando com ela... Era Ele. Culpei Deus e pronto. O fato é que depois de ficar brava com Deus, a transfusão estabilizou... Lembro que dormi e acordei sentindo-me bem... Fraca, porém bem e sem dor... Minutos depois, veio a enfermeira e disse que eu estava estável... Minha mãe chorou e agora era um choro alegre, se é que me entendem... Poxa, lembro que a minha médica me abraçou e quase chorou também... E lembro que fiquei dias pensando em Deus... Então Ele existia mesmo... Eu O havia desafiado e Ele havia respondido... Ou não tinha nada a ver e eu  estava delirando?... Será que Ele estava bravo? O que eu devia fazer agora? Pedir perdão? Agradecer?
    Chorei, agradeci e pedi perdão... Pedi de todo o meu coração para Ele não desistir... Para Ele me ajudar...
     Impossível escrever mais hoje...


27 de mar de 2011

Quimioterapia - parte 3

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     A quimio é uma merda... Uma merda necessária... Uma merda que talvez promova a cura... Talvez...
     Os pacientes que precisam se submeter à quimioterapia sabem por antecedência que o trem é feio, mas não imaginam quão feio ele será... 99,9% dos pacientes que estão passando ou passaram pela quimioterapia são unânimes em afirmar: "A QUIMIOTERAPIA É UMA MERDA"!
     O tratamento é "punk" e depois de algumas sessões você passa a ter certeza absoluta que não sobreviverá... Por mais otimista que você seja... E, embora queira realmente ficar bem, você mesmo passa a duvidar que tem alguma chance...
     Os principais efeitos colaterais do tratamento são: queda dos cabelos, enjoos, vômitos, baixa de leucócitos, alteração do paladar (gosto de cloro, alumínio, ferro etc na boca), alteração do olfato, alteração do humor, perda do apetite, fraqueza (acompanhada ou não de anemia e febre), desânimo, medo, insônia, raiva etc.
     Eu, com 2 meses de tratamento, não aguentava mais passar mal, “não tinha mais veias” e foi necessário colocar um cateter. As principais indicações para o implante de um cateter para quimioterapia são as seguintes: dificuldade de acesso venoso periférico em virtude de veias finas, quimioterapia de longa duração, tratamentos realizados com ciclos frequentes ou múltiplos e uso de medicamento vesicante (podem produzir irritação da parede dos vasos). Este dispositivo permaneceria comigo enquanto durasse o
tratamento quimioterápico. E, de certa forma, proporcionou-me maior conforto já que o acesso ao sistema venoso era obtido a cada ciclo de quimioterapia pela punção do port (parte do cateter que fica debaixo da pele) geralmente colocado na região anterior do tórax logo abaixo da clavícula. Assim a punção para acesso ao sistema venoso tornou-se fácil e menos dolorida...
     Antes de começar o tratamento eu pesava 57 quilos, e em dois meses já estava pesando 47 e consegui emagrecer mais 10 ainda ao longo do tratamento. Imaginam uma criatura com 1,70 de altura pesando 37 quilos? E sem cabelos ou sobrancelha? Eu me sentia um monstro... Um extraterrestre... Muitos afirmam que o paciente se sente mal com a perda de cabelos devido à preocupação estética e beleza... Aff, isso até tem uma certa importância, você olha  ao seu redor e está todo mundo bem, com cabelos e saudáveis, todo mundo está melhor e mais bonito que você... Mas, na verdade, e no meu ponto de vista, a perda dos cabelos representa a perda da identidade... A aquisição do status de diferente e do rótulo de doente... É uma mutilação... Embora eu considere o Vin Diesel lindo, eu odiei ficar careca... 
    Usava peruca e tinha um monte de chapéus e mesmo assim, me sentia uma aberração... Quando estava bem, meus amigos me levavam para sair... Era necessário distrair um pouco (recomendação médica)... Mas era doloroso... Já não bastava eu mesma me sentir uma aberração? Precisava dos olhares preconceituosos e de comentários desnecessários? Imagina você entrar numa danceteria no colo de um amigo, (tinha escada e era necessário ser carregada no colo para entrar), aí eu ficava sentada e meus amigos ficavam como seguranças em volta de mim... Óbvio que todo mundo olhava para mim... Eu bem que queria ter os poderes da mulher invisível, mas não tinha... E nessas ocasiões algumas pessoas conhecidas que haviam se afastado vinham ironicamente desejar melhoras e tecer alguns comentários... Digo ironicamente porque se você se afasta de um amigo quando ele está na pior, ao meu ver, você não se importa verdadeiramente com ele... Eu até entendo que algumas pessoas se afastam porque não sabem lidar com a situação... Entendo, mas não me comovo... Quem esteve do meu lado desde o início, permaneceu comigo até o fim do tratamento e serei eternamente grata... Quem se afastou e tentou se reaproximar depois... Não teve chance. Eu fechei o círculo... 
     Lembro de comentários desnecessários e maldosos... Uma pessoa que havia se afastado veio conversar comigo e disse: “Nossa, como você está magra... Não fica feia nem fazendo quimioterapia”... Precisava? Uma tia impediu que uma prima me abraçasse com essas palavras e na minha frente: “Cuidado, ela está doente... Você quer pegar a doença“? Câncer não é uma doença contagiosa... Em outra ocasião, fui comprar uma calça bailarina e a P ficou larga, a vendedora trouxe uma PP e disse: “o lado bom da quimioterapia é que emagrece bastante, se você sair dessa, tomara que consiga manter esse peso”... E, certo dia, o padre veio na minha casa rezar por mim... Aí começa o sermão e ele diz que tudo que estava acontecendo na minha vida era porque eu havia me desviado do caminho, eu era uma ovelha perdida... Vocês acham que eu fiquei ouvindo? Falei para o padre ir às favas, para ele ir procurar ovelhas no inferno... (não dá para escrever palavrões no blog e sou brava, mas não sou de falar palavrões mesmo)... Eu não havia cometido nenhum crime, não havia matado nem roubado... Não nessa vida... Quem ele pensava que era para me chamar de ovelha perdida? Pois é, expulsei o padre da minha casa... 
     Enfim, quem sou eu para julgar outras pessoas? Apenas acho que educação e respeito nunca são demais... Há que se ter o mínimo de bom-senso... Não vai ajudar?... Então nem fala nada... O silêncio simboliza respeito e "diz" muito...









26 de mar de 2011

Quimioterapia - parte 2

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     A segunda sessão de quimioterapia seria na clínica (Centro de Oncologia de Campinas) e fiquei sabendo que a quimio seria aplicada dessa forma: sessões mais fortes com internação no hospital alternadas com sessões mais brandas que seriam aplicadas na clínica de forma ambulatorial, ou seja, podia ir embora no mesmo dia.
     Na clínica, por 3 dias seguidos, a medicação era aplicada numa sala cheia de poltronas confortáveis onde várias pessoas, de várias idades, recebiam a medicação juntas.
     Interessante ressaltar que você não ficava num lugar escuro, nem com aquele “exército” de enfermeiros “medindo” pressão e temperatura a cada meia hora, podia comer e conversar com as outras pessoas.
     Lembro que, na minha primeira sessão na clínica, conheci uma mulher que estava no finalzinho do tratamento de câncer de mama, ela estava na sua última aplicação, estava com um lenço colorido na cabeça e feliz da vida porque em 15 dias seus cabelos voltariam a crescer... Conheci um senhor ranzinza que reclamava quando alguém passava mal, sendo que ele era o cidadão ali que mais passava mal... E conheci uma criança, uma menininha linda, de uns 5 anos, chamada Fernanda que fazia tratamento no Centro Infantil Boldrini e na clínica, e pasmem, fiquei bege e de todas as cores possíveis... Ela tinha câncer no pulmão. Como uma criança daquele tamanho podia ter câncer no pulmão? Eu já adoro criança e pela Fer me apaixonei imediatamente... Mas a Fernandinha merece um capítulo especial nas minhas postagens e voltarei a falar dela.
     A enfermeira da clínica que me atendia era a Dra Eliana, (“in memoriam“) um amor de pessoa, super paciente e dedicada. 
     Bom, na clínica ocorria uma certa interação, você acabava conhecendo outras pessoas que estavam na mesma situação que você... E isso fazia eu pensar... Eu ainda não me conformava com a doença... Mas julguei que era muito mais injusto com a Fernandinha do que comigo, ela tinha apenas 5 anos... Isso de conhecer outras pessoas e compartilhar experiências, foi muito importante para mim... Eu já não me achava mais o centro do universo... Havia um monte de pessoas passando pelo mesmo que eu... E, sinceramente, nas minhas orações e revolta, eu passei a pedir primeiro para a Fernandinha e depois para mim...





14 de mar de 2011

Cursos para escritores, blogueiros e afins! Apenas divulgando!

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19/03/2011 - Sábado
O Livro e o Direito Autoral - Questões Práticas

      A Lei do Direito Autoral e os vários aspectos que a envolvem têm sido foco para discussão. Que obras são protegidas pela lei? Que cuidados ter na utilização de conteúdos protegidos? Como evitar uma reprodução de texto sem autorização expressa do responsável? Quando acontece a pirataria? O que é domínio público? Lei das Biografias. Direito de Imagem. O Direito Autoral no mundo dos e-books, do Google e das novas tecnologias. 


Data: 19 de março de 2011 - Sábado
Horário: 9h00 às 13h00
Docentes: João Scortecci e Maria Esther Mendes Perfetti
Preço Único: R$ 130,00

26/03/2011 - Sábado
Biblioteca: Montagem, Organização e Conservação de Acervos

       O objetivo do curso é disseminar informações sobre montagem, organização, conservação e higienização de acervos em Biblioteca e Centros de Documentação e do ambiente para preservação, organização e divulgação de informações. Definição de conservação e restauração. O livro e suas partes. Motivos, danos e controle da deterioração de documentos. Catalogação.


Data: 26 de março de 2011 - Sábado
Horário: 09h00 às 13h00
Docente: Maria Esther Mendes Perfetti
Preço: R$ 120,00



Sala de aulas: Rua Mourato Coelho, 393 - conjunto 1
(esquina com Rua Teodoro Sampaio)
CEP 05417-010 - Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP

Mais informações:
Escola do Escritor
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
www.escoladoescritor.com.br
Telefone: (11) 3034.2981

13 de mar de 2011

Quimioterapia - Parte 1

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     Enfim, depois dos dias felizes na praia, a volta para casa ocorreu de forma tranquila... Era fevereiro de 1995, o carnaval seria no finalzinho do mês... Eu estava bem, meu joelho quase nem doía... Amigos queridos estavam na cidade, lembro-me de irmos para as cachoeiras e até de um breve "affair" com uma pessoa linda, por dentro e por fora, que eu gostaria de ter conhecido em outra época... Poxa, eu estava apaixonada por uma pessoa com quem não tinha a menor chance... Aí, de repente, um lindo aparece... E eu ia fazer quimioterapia... Estão entendendo porque eu disse no outro post que é uma sacanagem misturar sorte com porcentagem? Hahahaha! Brincadeira, nem era questão de sorte... E foi como tinha de ser... Essa pessoa é um querido até hoje, a quem devo e amo muito, nem era tão próximo e se fez muito presente nos piores dias da minha vida... Serei eternamente grata!
      Uns 10 dias antes do Carnaval, fiquei internada para fazer a primeira aplicação de quimioterapia... Estava assustadíssima e mal-humorada, vem a enfermeira "pegar" uma veia para passar a medicação, e ela "pica" e ainda erra... E "pica" de novo... E de novo... E a culpa ainda era minha porque estava muito nervosa, "as veias somem, fica difícil"... (palavras da enfermeira). A medicação era tipo um soro, mas coberto por algo preto... porque não podia ficar exposta à luz, além do protetor preto por cima, o quarto deveria ficar escuro, cortinas ou janelas fechadas... Tentei ler, mas desisti de tanto que os enfermeiros vinham "medir" temperatura e pressão... Dormir, seria impossível...  Eis que, dormi um pouco e acordei berrando, a agulha tinha escapado e eu estava cheia de sangue, acho que acordei o hospital inteiro, tamanho foi o susto... Vem a enfermeira "pegar" outra veia... e assim foi repetidamente... Não passei mal no Hospital, não sentia muita vontade de comer e tive apenas uma leve tontura... Após 4 ou 5 dias, deixei o hospital e considerei que as aplicações seriam incômodas, porém suportáveis... Seria fácil!
     Bastou chegar em casa para me arrepender das considerações acima... Passei super mal, cheguei a vomitar 18 vezes seguidas... Me sentia fraca, estava pálida e exausta. Irritadíssima... E isso durou uns 3 dias, depois melhorei, tudo voltou ao normal...
     Uns dias depois, estava tomando banho, fui lavar o cabelo e caíram todos de uma vez... Eu sabia que iam cair, mas assustei como se não soubesse, e não sabia realmente que seria da maneira como foi... Achava que iam cair aos poucos e lá estava o chão do banheiro coberto com todos os meus fios de cabelos... Chorei... Minha mãe me abraçou...  Nós já tínhamos providenciado uma peruca, lenços, chapéus, faixas e, mesmo assim, olhar no espelho foi doloroso... Ah, os cabelos simbolizam parte da vaidade, principalmente feminina, são como uma moldura num rosto e perder todos os cabelos de uma vez mexe com o emocional, com a autoestima... Lembro que me olhei no espelho e pensei que fui uma burra, deveria ter pintado meu cabelo de todas as cores antes de começar o tratamento, se eu não sobrevivesse, nunca mais teria cabelo... e, caso eu sobrevivesse, prometi a mim mesma que, assim que começassem a crescer ia testar uma nova cor... Acabei de me trocar, coloquei minha peruca chanel ruiva, um chapeuzinho branco e olhei no espelho novamente... Pronto! Já me sentia bem melhor...

12 de mar de 2011

As 7 Artes e o selo!

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   1ª Arte - Música (som):  A música (do grego MOUSIKÉ, “relativo às Musas, às artes”. De MOÚSA, “Musa”) é uma forma de arte que se constitui basicamente em combinar sons e silêncio seguindo, ou não, uma pré-organização ao longo do tempo. É também uma prática cultural e humana e uma forma de linguagem ou expressão que se utiliza da voz e instrumentos musicais entre outros artifícios. A música, é considerada a primeira arte e se concentra na utilização e percepção do som! Ouça! Sinta a música!



    2ª Arte - Dança (movimento): A Dança (do Latim DANSARE, com origens anteriores pouco definidas) é a arte de mexer o corpo, através de uma cadência de movimentos e ritmos, previamente estabelecidos (coreografia), ou improvisados (dança livre), criando uma harmonia própria. Geralmente associada à música, envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela. Mas, não é somente através do som de uma música que se pode dançar, pois os movimentos podem acontecer independente do som que se ouve, e até mesmo sem ele. Dance!
 


     3ª Arte - Pintura (cor); origem Indo-Européia PIG, PEIG, passando pelo Sânscrito PINKTE, “pinturas”, PINGERE em Latim. Este verbo queria dizer “embelezar, enfeitar, pintar” A pintura refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas. O elemento fundamental da pintura é a cor. Atualmente o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual incorporando as características dos elementos que são próprios da pintura, como a cor, a luz e o desenho. Pinte!



     4ª Arte - Escultura (volume); do Latim, “esculpir” era SCULPERE, uma variante de SCALPERE, “riscar, escavar”, é a arte que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial, a arte de moldar ou talhar determinados materiais criando volumes e formas. Esculpa! Molde! Talhe!



     5ª Arte - Teatro (representação);do grego THÉATRON , THÉASTHAI queria dizer “ver, olhar” e theaomai - "olhar com atenção", "perceber", "contemplar". THÉATRON, uma estrutura aberta para representações, “o lugar para ver”, "o lugar para contemplar", é a arte de bem representar, onde uma história (não necessariamente escrita) e seu contexto se fazem reais  e verídicos pela montagem de um cenário e a representação/interpretação de atores em um palco, para um público de espectadores. Com o auxílio de dramaturgos ou de situações improvisadas, de diretores e técnicos, o espetáculo tem como objetivo apresentar uma situação e despertar reações e sentimentos no público.  Veja! Contemple!



     6ª Arte - Literatura (palavra); vem do Latim LITTERIS, “Letras”, LITTERA, "Letra ". Literatura pode ser definida como a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras, um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, que se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística. Um texto é literário, quando consegue produzir um efeito estético. O texto literário é, portanto, aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a língua com liberdade e beleza. "A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade". (COUTINHO, Afrânio). Escreva! Leia!



     7ª Arte - Cinema (integra os elementos das artes anteriores mais a 8ª arte - Fotografia (imagem). do grego: KINEMA, "movimento". O cinema (ou cinematografia), é a abreviação de cinematógrafo... A origem do nome "cinema" vem do fato de que o cinematógrafo, historicamente, foi o primeiro equipamento utilizado para o registro e exibição de filmes. Por metonímia, a palavra também pode se referir à sala de espetáculos onde são projetadas obras cinematográficas. Cinema inclui a técnica de projetar imagens para criar a impressão de movimento, bem como uma arte e a indústria cinematográfica. As obras cinematográficas (mais conhecidas como filmes) são produzidas através da gravação de imagens do mundo com câmeras, ou pela criação de imagens utilizando técnicas de animação ou efeitos visuais. Os filmes são feitos de uma série de imagens individuais chamadas fotogramas. Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador tem a ilusão de que está ocorrendo movimento. A cintilação entre os fotogramas não é percebida devido a um efeito conhecido como persistência da visão, pelo qual o olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a fonte ter sido removida. Os espectadores têm a ilusão de movimento devido a um efeito psicológico chamado movimento beta. Como forma de registrar acontecimentos ou de narrar histórias, o Cinema é uma arte que geralmente se denomina a sétima arte, desde a publicação do Manifesto das Sete Artes pelo teórico italiano Ricciotto Canudo em 1911. 



    Atualmente,  incluem-se outras formas expressivas também consideradas artes:
  8ª Arte - Fotografia (imagem);
  9ª Arte - Banda desenhada (cor, palavra, imagem);
  10ª Arte - Jogos de Computador e de Vídeo (alguns jogos integram elementos de todas as artes anteriores somado a 11ª, porém no mínimo, ele integra as 1ª, 3ª, 4ª, 6ª, 9ª arte somadas a 11ª desde a Terceira Geração dos Videogames);
  11ª Arte - Arte digital (integra artes gráficas computorizadas 2D, 3D e programação).



O selo
É um "agrado" entre blogueiros.




Esse selo eu ganhei da Harah Nahuz, do blog:
http://www.dancaharah.blogspot.com/


E agora, devo presentear 10 blogueiros com o selo: Lari (Tudo por um Livro), Rogério Rinaldi (Só brincos), Karine (O diário da Louca), Renato (Nitro Informática), Jackie (Mundo da Jackie), Leo (Imaginando Criatividade), Leo Mad (Madness), Harah Nahuz (Haridades), André (Escritos Imorais), Simone (Cotidiano).
Como reza a tradição, os blogueiros deverão vir aqui buscar a imagem do selo, depois escrevam de quem ganharam o selo e 7 coisas sobre vcs (temático ou não) e escolham 10 blogueiros para presentear com o selo! Espero que gostem!

11 de mar de 2011

Aos meus seguidores/leitores...

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     Desculpem a ausência... Culpa dos dias que teimaram em passar muito rápido... E culpa de uma inconstância da minha mente... Às vezes resolvo fazer mil coisas ao mesmo tempo, outras vezes me isolo... Necessito do silêncio, de ficar sozinha... Nem isso importa agora, vim justificar-me apenas porque considerei que fosse humano e justo...
     Andei pensando no blog e em alguns comentários relacionados a ele que vou citar aqui:
  • " Seu blog é muito pessoal, as pessoas geralmente fazem blogs para escrever coisas "fofas", comentar as notícias, o cotidiano, a moda, o mundo da TV etc". 
  • "Você não acha que está se expondo muito no blog"?
  • "Achei o blog interessante, meio reality show, porém interessante..."
  • "Seu objetivo ao escrever está relacionado com auto-ajuda"?
Esclarecimentos:

       Eu gosto de escrever... Na época da faculdade comecei um livro de poesias infantis... e tentei escrever sobre a quimioterapia... Não consegui... Eu participo de comunidades e cursos para escritores... Um dos exercícios de um desses cursos consistia em escrever sobre lembranças... Um cheiro, uma fruta, uma viagem, uma pessoa, uma época e sobre algo muito ruim. Eis que, fazendo o exercício consegui escrever sobre a quimio, consegui olhar para trás e escrever... E isso foi muito bom...
      Bom, eu detesto reality show... Também não gosto de auto-ajuda... Ah, sei lá, não gosto da ideia de fórmulas prontas para ajudar alguém... Cada pessoa é única... E a reação é algo espontâneo... Comigo é assim... E se falo do que sinto, exponho minhas ideias, meu mundo, minhas reações... A quimioterapia foi algo muito ruim, um período muito difícil... que, de certa forma, contribuiu para que eu me tornasse um pouquinho mais humana... Um pouquinho só... Ainda tenho mil defeitos... 
     Então, escrevo porque gosto, porque preciso... Não me importo de não ser coerente... São minhas conversas comigo mesma, meu refúgio, uma análise do que mexe comigo, um desabafo... Apenas estou compartilhando isso... Livre de julgamentos...  Aqui estou eu, a partilhar aquilo que sinto!
     Deixo-vos então. Sem mais palavras. Até os próximos textos...

8 de mar de 2011

Dia Internacional da Mulher

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Um Poema de Madre Tereza de Calcutá

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A MAIS BELA DE TODAS AS COISAS - MADRE TEREZA DE CALCUTÁ

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A Fuga!

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     Estávamos no finalzinho de dezembro de 1994... E, tanto eu, quanto meus pais, precisávamos de uns dias para "engolir" o diagnóstico... Não gente, eu não fugi de casa... Eu já tinha combinado de ir para a praia com a Paty e tio Sérgio, ia ficar uns dias e voltaria para começar o tratamento imediatamente... Só pensava naqueles 35% de chance que o médico tinha falado... Imaginava que, com um pouco de sorte, poderiam ser 50% ou 60%... Mas, e se eu não tivesse sorte? Aí ficava irritada e pensava que era uma sacanagem misturar sorte com porcentagem... Aí, minha mãe falava: "confia em Deus minha filha", e tinha horas em que eu confiava, conversava com Ele e pedia para que me ajudasse, que me protegesse... E tinha horas, que eu me revoltava e duvidava Dele...
     Fui para a praia e o tio Sérgio seguia (não sei se ainda segue) umas terapias alternativas, medicina natural, essas coisas... Ficamos um tempo na praia e durante esses dias, meu tio, gentilmente aplicou moxa em mim e me ensinou um pouco dessas terapias. A moxa, geralmente preparada com uma erva (não sei o nome da erva), é uma técnica terapêutica utilizada na Medicina Oriental, para tratar e prevenir doenças através da aplicação de calor em pontos utilizando os meridianos de energia pelo corpo. Também fizemos banhos de ar (cobrir e descobrir o corpo, utilizando uma gravação que tem tempo cronometrado, orientando quando deve cobrir-se e descobrir-se e é indicado para purificar o líquido do corpo, absorver o oxigênio, desintoxicar, fortalecer os órgãos internos, melhorar a respiração e a circulação sanguínea), banhos quentes e frios, também chamados de banhos de contraste (imergir qualquer parte do corpo, ou o corpo todo em água quente primeiro, e depois em água fria, alternadamente - os vasos sanguíneos dilatam quando é aplicado calor, e estreitam com a aplicação de frio. Esta mudança de calibre dos vasos sanguíneos estimula a circulação e acelera o processo de remoção de toxinas), fizemos uma dieta alimentar leve, etc. Meu joelho, continuava quente, mas não doía mais, não aquela dor aguda dos primeiros dias... E a Paty, que nem estava doente, fazia tudo comigo... e ainda dava tempo de irmos tomar sol, andar na praia, paquerar... Enfim nada como o mar para nos acalmar... Ah, eu tinha um paquera , um menino que tinha casa vizinha a casa do meu tio na praia, escutava uns "poperôs" horríveis ( Oh! carol, I am but a fool, Darling I love you... - ele escutava essa música mil vezes, tomara que nunca leia o blog... hahahaha), mas era uma graça, um fofo! Inclusive, passamos o reveillon na casa dele, com a família dele... (Estou imaginando a cara da minha prima lendo isso, hahahahaha)
     Bom, acabou-se a praia e fomos para SP, eu deveria vir embora, para começar o tratamento imediatamente, mas a Carina ia para Ubatuba... E, é lógico que não vim embora nada, fomos para a praia de novo, dessa vez: eu, Paty e Carina! E, de verdade, foram dias maravilhosos...
     Embora eu não tenha começado o tratamento imediatamente, graças a essas fugas para a praia, eu precisava desses dias, e como precisava... Quando você vê o resultado do exame, entra em choque, eu entrei... Primeiro fiquei indignada... Ah, sei lá, eu era ruim, não ruim gratuitamente, era do tipo "não pise no meu calo", falava as coisas meio sem pensar, e, se me magoassem , desejava que sofressem o mesmo... mas, por outro lado eu tinha qualidades também e, no meio de tudo, eu achava que era uma injustiça o que estava acontecendo na minha vida... Eu não tinha maturidade para aceitar numa boa na época, e se fosse hoje, também não sei como lidaria... Acho que ninguém espera passar por isso... e nem planeja como lidar com uma doença grave, um acidente... Você só pensa nisso quando acontece com você, ou alguém muito próximo...

     Minhas sinceras desculpas aos meus amigos mais próximos e aos críticos de plantão, mas eu não sabia ser mais branda e compreensiva na época... Muito obrigada por me suportarem e terem permanecido do meu lado nos piores dias da minha vida...


6 de mar de 2011

Gilberto Gil - Vamos Fugir

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O diagnóstico, médicos e explicações...

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     Com o diagnóstico de Osteossarcoma em mãos, começa a maratona de médicos de novo... O primeiro médico escolhido foi o Dr Reinaldo Gamba (in memorian) que era mestre em cirurgia e Prof. Dr. do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC - Unicamp, um senhor amável que me atendeu em sua clínica e foi a primeira pessoa a me explicar o que era um osteossarcoma e como seria o tratamento... O osteossarcoma é o sarcoma primário do osso, a definição do osteossarcoma implica: um tumor maligno formador de osso com presença de um estroma francamente sarcomatoso e  a formação de osteóide neoplásico e osso pelos osteoblastos malignos. O osteossarcoma clássico ou central costuma ocorrer em adolescentes e adultos jovens. Aproximadamente metade dos osteossarcomas centrais ocorrem na região do joelho, sendo a extremidade distal do fêmur a localização mais frequente. Assim como em outros tumores ósseos, os sintomas não são específicos. A presença de dor aguda e de uma massa são frequentes. Pode haver aumento de temperatura e a presença de veias do subcutâneo dilatadas pelo crescimento do tumor. O tratamento consistia em exames constantes de acompanhamento e evolução do tumor, quimioterapia neo-adjuvante pré-operatória, o que levaria aproximadamente 12 semanas. As principais vantagens da quimioterapia pré-operatória são: a redução do edema, a diminuição do tamanho do tumor e o efeito sobre as micro-metástases; cirurgia, que pode ser ablativa (amputação) ou de preservação do membro (ressecções, endo-próteses, homo-enxertos), dependendo da resposta do tumor ao tratamento pré-operatório, da localização da lesão, da idade do paciente e da perspectiva de crescimento da extremidade; quimioterapia pós-operatória: 6 ciclos, aplicados em um período de aproximadamente 15 semanas após a cirurgia. 
     
     Vocês imaginam a rebelde aqui ouvindo as explicações do médico? Não entendia metade das coisas que ele falava, e ele falava mais ou menos como no texto aí em cima... Eu estava assustadíssima e chorando no consultório, meu pai desmaiou de susto e teve que ser medicado na própria clínica... minha mãe lá, fazendo uma força sobrehumana para não chorar, eu viro para o médico e num tom incisivo digo: Dr Reinaldo, fala em português claro comigo, quais as minhas chances? Suas chances, vou ser bem claro, não há como ser preciso, ficam em torno de 35%, podem ser maiores, ou menores... depende da sua resposta ao tratamento e de um acompanhamento detalhado...
     Eu, que já estava chorando, agora soluçava...


     Os outros médicos escolhidos foram: o dr André A. J. G. de Moraes, oncologista clínico, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e diretor do Centro de Oncologia Campinas e a dra Dra. Mary da Silva Thereza, oncologista clínica do mesmo Centro, que me explicaram o que vinha a ser a quimioterapia... O tratamento quimioterápico (feito por meio da aplicação de um conjunto de medicamentos na veia do paciente) tem vários efeitos no corpo, como uma baixa da imunidade (capacidade do corpo de combater infecções), náuseas, vômitos, tonturas, a queda dos cabelos (e não só dos cabelos, mas dos fios do corpo todo)... O princípio dos remédios que são usados na quimioterapia é atacar as células do corpo que se proliferam rapidamente, porém, o medicamento não tem “preferência” por uma célula ou outra, por isso ataca tanto as que estão “doentes” quanto às outras que se proliferam com rapidez. No meu caso, fui avisada que ia perder os cabelos... Dra Mary, extremamente amorosa, sugeriu inclusive que eu os cortasse antes de iniciar o tratamento, para não sofrer tanto... e Dr André disse que era  importante começar o tratamento imediatamente... De novo, saio de lá chorando... e fugi...


3 de mar de 2011

Momentos tensos: lembranças de minha adolescência e um diagnóstico...

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    O que recordo da minha adolescência?
    Creio que fui uma adolescente extremamente rebelde, impulsiva, explosiva e má... Lembro, principalmente, das  eternas negociações/ “discussões” com o meu pai quando queria sair e ele achava que eu ainda era muito nova para ir à danceteria, shows ou festas... Comecei a sair com mais de 15 anos e, antes de sair, tinha que responder um interrogatório: “Aonde você vai“? “Com quem você vai”? Ah, e tinha hora para voltar... Ai de mim, se atrasasse um minuto... Graças ao meu geniozinho teimoso, isso foi melhorando, os horários aumentando...
     Enfim, curti minha adolescência, desejando fazer 18 anos, com uma trilha sonora embalada por: Legião Urbana, Cazuza, Rita Lee, Titãs,  Capital Inicial, Golpe de Estado, Raulzito,  Ramones, Sex Pistolls, Metallica, Van Hallen, Rush, Green Day, Offspring, Radiohead, Nirvana, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Counting Crows, Foo Fighters, Guns n' Roses, U2, Red Hot Chili Peppers, The Doors, Beatles, Bob Marley etc.
     Lembro dos amores platônicos em que o escolhido nem sabia... E eu já sofria por amor hahahahha! Lembro do primeiro beijo numa brincadeira de pêra, uva e salada mista, dos paqueras, dos beijos melhores que o primeiro, do primeiro namorado, de adorar ganhar flores desde essa época, e nem precisava ser buquê, podia ser um botãozinho com um bilhetinho que eu já ficava feliz! E, quando ganhava uma flor com um bilhete anônimo era melhor ainda, virava detetive por dias, semanas, tentando descobrir... 
     Lembro do primeiro porre, numa festa do vinho no Poli, até rimou heim? Hahahaha! Lembro de dispensar uma pessoa que eu estava adorando, só para poder aproveitar a festa com as minhas primas Patrícia e Carina... Ah, eu avisei que fui má.  E a Patrícia  ainda colaborou chamando "carinhosamente" o menino de "bobão", que de bobo, diga-se de passagem, não tinha nada, era super divertido e carinhoso, um amorzinho... Lembro de um amigo que virou ficante, mas era uma coisa só escondida, até que fiquei muito apaixonada e ele não mais me quis... Nunca entendi bem... Mas foi o pior fora que já levei na vida...
    Lembro, de, um tempo depois,  perder um amor para uma amiga... Não, não era colega não, era amiga mesmo... E não era um paquerinha não, era um amor mesmo, um namoro oficial que já durava mais de 1 ano... Enfim, perdi alguns amigos, mantenho outros até hoje e fiz novos... Lembro dos amigos da escola, tanto em Pinhal quanto aqui, das gincanas, da Camila e da época que a gente era grudada e ficava passando trote nos outros, rindo de tudo, os Carnavais com camisetas de blocos... Saudade!
     Lembro que adorava a boatinha do Recreativo em Pinhal, saudade imensa dos amigos de lá: Bibi, Bárbara, Carla, Lúcia, Evanise etc,  e também vivi  a "era de auge" do Rio Branco, com os showzinhos lotados, as festas: festa brega, festa à fantasia, Halloween, todo mundo à caráter, na companhia das minhas queridas amigas e amigos. Época boa demais... Sinto uma saudade imensa... Saudade também dos esquentas na minha casa ou na casa da Giovana... Fases que podem ser divididas em duas: início antes do diagnóstico e continuação depois do tratamento... O lado bom é que vivi duas vezes...
      E saudade da época que minhas primas e meus amigos de SP estavam sempre aqui... Dos churrascos, de acordar e ir para as cachoeiras, faz tempo que não faço isso... Dos amigos que se tornaram parte da família, especialmente: Seu Mauro, Nilce, Simone, Maurinho, Espectro, Aster, Vasco, Toca, Presunto, Carla, ah muita gente que veio a acrescentar muito na minha vida e que, não importa quanto tempo passe, sempre terão um lugar especial no meu coração...
    Eis que, depois de uma adolescência razoavelmente normal, eu descubro que as coisas não mudam muito só porque se fez 18 anos... A gente começa a pensar em vestibular, a sonhar com a faculdade e, a tão sonhada liberdade, cede lugar a novas responsabilidades... Bom, no meio do cursinho, meus projetos tiveram que ser interrompidos/adiados... Do nada, começo a sentir dor na perna esquerda, começa uma correria de um médico para outro, a dor aumenta e meu joelho trava, eu não conseguia mais dobrar a perna...  Enfim, depois de muitos exames, Dr Fábio, vê uma mancha num raio X e diz: “eu aconselho vocês a procurarem um especialista em Campinas, isso pode não ser nada, só uma calcificação extra, ela sempre foi muito ativa... Mas também pode ser um tumor ósseo”. Lembro dessas palavras como se fosse hoje e choro de novo ao lembrar... Recomeça a maratona de médicos em Campinas, a dor não passava por nada, nenhum remédio resolvia, um exame atrás do outro: tomografia, ressonância, cintilografia óssea e nenhum exame dava um diagnóstico preciso. Eu, que já era rebelde, agora tinha uma causa e só fazia me perguntar “porque isso está acontecendo comigo“? 

    Ah, cheguei ao cúmulo de culpar meus pais, “tudo culpa de vocês”, eu dizia...  Aff, não sei porque eu invento de escrever sobre essas coisas, é doloroso lembrar, choro igual criancinha... Bom, acho que escrevo para lavar a alma mesmo...
     O ano?  1994
     O mês? Dezembro
     A  biópsia e o diagnóstico: 


     Meu mundo caiu, literalmente... Mas isso é assunto para outra postagem...